Como património construído existe em São Julião, A IGREJA DE S. JULIÃO, que é o monumento mais antigo da freguesia.
A povoação durante muito tempo foi conhecida por S. Julião, que era o nome do seu padroeiro.
Foi construída no século XI, quando o Abade Pedro doa à Sé Conimbricense a Igreja e as terras à sua volta, onde já se encontravam construídas casas e uma torre de vigia. A Igreja foi sofrendo algumas alterações ao longo dos tempos (1716, 1877, 1887, 1896) estando nos nossos dias totalmente modificada.
O exterior, feito com pedra de Ançã encontra-se, hoje em dia, em bom estado de conservação. Podem observar-se ainda na fachada deste monumento, duas torres, contendo cada uma um relógio (primitivamente tinha apenas uma, do lado oriental). Destacam-se um, em numeração romana e outro, em numeração cardinal.
No que diz respeito ao interior da Igreja, salientam-se na nave três retábulos de madeira, característicos do século XVIII.
De igual modo importante, existe A IGREJA DE SANTO ANTÓNIO que é o templo do antigo Convento de Santo António, actualmente lar de terceira idade.
Foi fundada em 1527, por Frei António de Buarcos, com o apoio de D. João III e a célebre ajuda de António Fernandes de Quadros, Senhor de Tavarede, ali sepultado, tendo já sofrido várias alterações e restauros. A fachada é de elegante linha Franciscana. Nesta está inserido um nicho, onde se encontra um santo - Santo António.
Ao passar o portão de ferro, encontra-se um pequeno átrio acolhedor - Galilé.
Em frente está a porta principal do templo, com aros de pedra lavrada em estilo plateresco - Orla. Na parede esquerda, existem dois painéis de azulejos do século XX, alusivos ao Santo e à Figueira da Foz e ainda o brasão da Misericórdia. Na direita, constata-se um armário conventual do século XVIII e uma porta de acesso ao coro.
Encontram-se no interior da Igreja três retábulos setecentistas, quadros com imagens, provenientes do Convento de Seiça.
A revestir as paredes podem ver-se valiosos azulejos em azul, branco e amarelo do século XVII.
Lateralmente, existem ainda duas capelas. a Capela do Senhor da Vida, fundada no final do século XVII, feita de pedra de Ançã, tem um arco ordenado apoiado em capiteis coríntios e a abóbada é painelada. Nesta, encontra-se a imagem do Senhor da Vida. Esta capela é de estilo renascentista. A capela de S. Francisco, feita nos princípios do século XIX pela Ordem Terceira, é de estilo neoclássico/barroco. Possui azulejos azuis e brancos do século XVIII/XIX. O retábulo principal, apresenta pinturas com o tema da estigmatização de S. Francisco. Nesta capela destacam-se ainda uns varandins, paras as pessoas nobres poderem assistir às missas.
Era no coro alto que se reuniam os frades, para as suas orações e vigílias de regra. Destaca-se ainda neste local, um cadeiral simples, onde, nas suas costas, se podem admirar treze tábuas pintadas do século XVIII, que relatam a vida de Santo António. Ainda neste local, como curiosidade adicional, se pode observar a imagem de Nossa Senhora da Conceição.
A sacristia foi reconstruída em 1984 e é ocupada por um belo arcaz conventual do século XVII, sobre o qual também se podem observar, um crucifixo da mesma época e duas imagens de pedra de S. Estêvão (século XV e XVI) e S. Benedito (século XVII). Nos armários laterais, guardam-se paramentos litúrgicos e vestes sacerdotais.
Registam-se ainda o edifício da ALFÂNDEGA, localizada em frente ao cais de desembarque perto das casas comerciais de S. Julião.
Este sofreu algumas alterações, que foram realizadas pelo desembargador João Varela de Abreu. A fachada é simples, salientando-se a porta com verga de friso e cornija.
Também importante a CASA DO PAÇO, que se julga ter sido construída no século XVII, a mandado de D. João de Mello, Bispo de Elvas, Viseu e Coimbra, que mais tarde cedeu o paço a seu sobrinho D. António José de Mello.
Esta, desde sempre se situou em frente ao cais do porto da Figueira da Foz e tem características de um solar. O seu arquitecto seguiu um modelo francês bastante usado na época e construiu a Casa em “U”. Possui ainda uma fachada barroca bastante elegante.
Nela se destacam os famosos azulejos holandeses de “Delf“, que descrevem paisagens campestres, marinhais, cenas bíblicas e cavaleiros. Estes teriam chegado à Figueira ou por ter ocorrido um naufrágio de algum navio holandês (que na altura exportava estes azulejos) junto à barra da Figueira ou ainda por encomenda da família de Mello.
O FORTE DE SANTA CATARINA, edificado no século XVI, sobre as rochas no leito do Mondego, com o intuito defensivo.
Este é de forma triangular composto por duas partes: a capela e as fortificações.
A capela possui a imagem de Santa Catarina e um retábulo do século XVIII.
Salienta-se ainda o PELOURINHO DA FIGUEIRA DA FOZ situado na Praça do Comércio e datado do século XVIII - 1782. Foi classificado de “Monumento Nacional” em 1910. Eleva-se com uma elegante coluna torcida sobre cinco degraus quadrados e esta mesma coluna é coroada simultaneamente com as ordens jónicas e coríntia. Possui ainda as Armas da Nação, visíveis na parte superior do capitel.
Outro monumento classificado é o CRUZEIRO, este “Imóvel de Interesse Público”. É uma construção simples mas simbólica. Construído no século XIX - 1812, de pedra e hoje com gradeamento em ferro. Este cruzeiro simboliza o terrível flagelo das populações que devido à terceira invasão francesa se viram obrigadas a refugiarem-se nas cidades e vilas mais próximas, sendo uma das vilas a Figueira da Foz.
Valioso edifício é o PALÁCIO DE SOTTO MAYOR. Tinha como proprietário Joaquim Felisberto da Cunha Sotto Mayor e era natural de Trás-os-Montes .
Este Palácio foi construído por Gaston Landeck - arquitecto francês - e por isso este edifício insere-se no estilo francês dos finais do século XIX.
Depois de construído, este Palácio assume-se, hoje, como um dos edifícios de maior valor na arquitectura civil portuguesa do século XIX/XX.
Este é de estilo Arte Nova e é também um rico repositório de pintura, porcelanas e variedade de mobiliário.
Actualmente, este Palácio pertence à Sociedade Figueira Praia, que o comprou aos herdeiros do banqueiro Sotto Mayor, em 1967.
Na Figueira da Foz destaca-se ainda o MUSEU MUNICIPAL DR. SANTOS ROCHA. O fundador deste Museu foi, como o nome indica, o arqueólogo figueirense com o mesmo nome. Foi inaugurado no século XIX e aberto ao público em 6 de Maio de 1894.
Este contém um dos mais vastos espólios do país, contendo as colecções seleccionadas pelo Dr. Santos Rocha.
O Museu foi enriquecendo progressivamente, com heranças e doações deixadas por pessoas da Figueira (e não só) que aumentaram a sua diversidade de bens. Caso, por exemplo, de Cristina Torres (ilustre Figueirense dedicada à defesa da igualdade das mulheres), que deixou todo o recheio de sua casa, depois de ter falecido.
Nesta freguesia existem ainda dois edifícios a destacar. São ambos de índole recreativa. O COLISEU FIGUEIRENSE criado em 1895 e o CASINO PENINSULAR, instalado desde 1900 no antigo edifício do Teatro Circo Saraiva de Carvalho, que trouxe à Figueira imensos espanhóis nos anos 30.