Muitas das tradições que outrora existiam acabaram por desaparecer. É o caso do “Enterro do bacalhau” (durante a semana da Quaresma só se comia peixe; quando se chegava ao Sábado de Aleluia enterrava-se o bacalhau, seguindo-se uma festa), “Cortejo de S. Tomé“ , as “Desfolhadas” e as “Malhadas de espigas de milho“ , “A morte do Judas” (pela Quaresma faziam um boneco de palha que representava Judas, recitavam versos que difamavam a vida alheia e por fim queimavam o boneco), “Casqueirada” (era realizado no Domingo Gordo e atiravam pedras e cascas de mexilhões às casas), “Cacarada” (fazia-se uma roda de jovens e atiravam um cântaro de mão em mão; quem não estivesse com atenção e o deixasse cair, saía da roda), as “Cavalhadas” (enfeitavam os burros com flores e colchas e iam à praia de Quiaios molhar os pés aos animais) e finalmente o “Badalo” (tratava-se de uma brincadeira onde atavam um fio ao puxador - badalo - e quando este batia na porta, os moradores vinham para ver de quem se tratava; só após várias insistências é que verificavam que era uma brincadeira).

No entanto há outros festejos que o povo não faz questão de esquecer, tais como “O Maio” que se comemora no dia 1 de Maio (Dia do Trabalhador). É uma tradição de gente jovem (rapazes e raparigas), que “roubam” coisas, principalmente burros, de preferência de noite, sem que os donos dêem por isso. No dia seguinte, quando os donos das coisas roubadas vão ver o desfile de mulheres com potes à cabeça, torna-se engraçado vê-los identificar as suas coisas. Há também a eleição do pote mais bem enfeitado.

A segunda festa é a “Festa do Senhor”, que se realiza no primeiro domingo de Setembro. É a festa popular de cariz religioso. É realizada uma procissão que percorre as ruas de Quiaios, regressando no fim à igreja. Termina a festa com um baile.

A terceira festa é a “ Festa de S. Mamede” ou “Festa do Padroeiro”. Deixou de se realizar todos os anos, mas em 1989, a “Comissão de Festas” resolveu voltar a comemorar esta festa da terra. Assim, no dia 20 de Agosto do mesmo ano recuperou-se esta tradição. O festejo é muito semelhante à Festa do Senhor, porque é de carácter religioso e termina com um baile.

Além destas, comemoram-se também o “St.º António”, no dia 13 de Junho (fazem-se marchas populares), o “S. João”, no dia 24 de Junho e o “S. Pedro”, no dia 28 de Junho. Fazem-se fogueiras onde reúnem as famílias, os vizinhos e os amigos aí come-se sardinha, bacalhau, chouriço assado na brasa com broa ou Torta.