Entre os motivos de interesse existentes na sede de freguesia, encontra-se a IGREJA PAROQUIAL, sendo o seu orago Nossa Senhora do Ó. Trata-se de uma Igreja moderna, construída em 1905. No seu interior, uma lápide assinala o início da construção: 2 de Fevereiro de 1896. A maioria das imagens é recente, excepto a de S. João Baptista e a de S. António, datadas do século XVII.

Quase no centro da povoação, pode-se apreciar uma capela-nicho, com um arco reaproveitado, provavelmente do século XV.

Como se sabe, esta é uma zona de património arquitectónico bastante rico. Para além dos monumentos já citados, merece referência a FONTE DE S. JOÃO, reconstruída há pouco tempo. Também o espaço circundante foi arranjado de maneira a criar condições propícias e agradáveis para os visitantes poderem usufruir de uma bela vista panorâmica, que abarca até à Figueira da Foz.

A alguns quilómetros do Paião, encontra-se a CAPELA DE NOSSA SENHORA DE SEIÇA. Construída no ano de 850 pelo Abade João, seria reconstruída no reinado de D. Afonso Henriques ou de D. Sancho I, mais tarde pelos religiosos do mosteiro no ano de 1602. É uma capela invulgar devido à planta octogonal, cercada por colunas dóricas, de pedra. Na porta principal, está inscrita a data de reconstrução, 1602. Dentro, uma lápida que regista os passos do célebre abade, contra os mouros.

As cenas principais da lenda, estão relacionadas com o cerco do castelo de Montemor-o-Velho pelos mouros: degolação de mulheres e crianças; o combate com os mouros; a notícia da ressurreição dos degolados; a queda do criado de D. Afonso Henriques e a sua cura e por fim o ermitão e o rei dando a sua palavra em como fundaria o Mosteiro de Santa Maria de Seiça.

Como últimas referências ao interior da capela, realça-se uma Virgem com o Menino em calcário, do século XIV e os azulejos, de D. Maria, que revestem a parte inferior das paredes e são atribuídos à oficina de Sousa Carvalho de Coimbra.

A remodelação do século XVIII incidiu principalmente sobre a parte mais alta do edifício, com abertura de cinco janelas na frontaria e na porta lateral, onde se introduziram os ditos azulejos, o retábulo e as telas.

Deixando a templo, alguns metros adiante, o visitante depara-se com o grandioso e degradado Mosteiro de Santa Maria de Seiça, hoje pertença de uma entidade privada, à família Carriço.

Foi mandado edificar pelo primeiro monarca português, que morreu antes da obra estar finalizada. Seu filho, D. Sancho I, deu continuidade à construção que, depois de inaugurada, acolheu os frades de Lorvão, da ordem de São Bento, tendo como abade D. Payo Égas (em 1175) e, mais tarde, os da ordem de São Bernardo, que lá permaneceram até à extinção das ordens religiosas.

Uma reedificação do século XVII acrescentou duas capelas laterais à igreja, constituída por uma só nave.

Em tempos mais próximos, a degradação apoderou-se do Mosteiro, que viria mesmo a ser autorizado como fábrica de descasque de arroz. Na fachada, evidenciam-se duas torres sineiras e, na parte intermédia da frontaria, três pilastras.

Em relação a estes monumentos, existe uma lenda contada por Frei Agostinho de Santa Maria no “Santuário Marino”. Diz ela que, correndo o ano de 1160, encontrando-se D. Afonso Henriques em Coimbra, foi vítima de alguns “achaques”, pelo que, a conselho dos médicos, desceu ao longo do rio Mondego, com o objectivo de chegar ao mar, e banhar-se nas suas águas.

Sendo estes sítios que bordejam o Mondego de grande beleza e paz, consta que o rei se sentiu tão aliviado de seus males que, quando chegou à praia, se encontrava já refeito de seus padecimentos.

Muito religioso, sabe-se que o rei, ao saber da existência de uma ermida dedicada a Nossa Senhora, quis ir rezar nela.

Aconteceu que um seu cavaleiro, ao pretender caçar uma lebre que se levantara diante dos seus pés, caíu como morto. Conduzido para a ermida, a fim de ali ser enterrado, logo que o corpo tocou o chão, levantou-se curado. Dando graças à Senhora, prometeu logo ali que entregaria a sua vida ao rei, e que viveria e morreria naquela ermida.

À vista de tal milagre, consta que D. Afonso decidiu fundar aí um convento de monges.