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02 de Março de 2001
Abertura
Candidatura de Santana Lopes
Lisboa ou Figueira?
Duzentos
(200) são os quilómetros que inviabilizam uma recandidatura do Dr. Pedro
Santana Lopes à autarquia figueirense, para um segundo mandato. A família
está distante e os filhos precisam do seu apoio. Uma posição que todos nós,
que somos pais, devemos compreender e enaltecer. Os filhos acima de qualquer
interesse político. Os filhos acima de tudo.
Já por diversas vezes o Dr. Pedro Santana Lopes fez alusão a esta justificação. Para bom entendedor, meia palavra basta. Lisboa era ouro sobre azul. Uma paixão antiga e perto dos filhos.
Estando então o Dr. Pedro Santana Lopes fora da corrida, esperam os cidadãos deste concelho que PS, PSD, PP ou PCP, assim como outras frentes partidárias, possam e tenham a capacidade de apresentar ao eleitorado um candidato credível. Que saiba e consiga ter a postura igual ou superior à do ainda presidente da autarquia deste concelho. Entre outros, não permitir aberrantismos urbanísticos.
Quero desde já endereçar ao Dr. Pedro Santana Lopes e seu executivo os meus
cumprimentos pela coragem e determinação que mostraram em determinados
momentos deste mandato, e pelo trabalho feito. Certo que muito vai ficar por
acabar, tenho no entanto a certeza que o próximo presidente o irá fazer, seja
ele quem for. Seja ele de que ala partidária for. Os eleitores figueirenses
acordaram e aprenderam a votar. Não escolhem os partidos, mas sim as pessoas.
Ou acreditam ou não na postura e capacidade de liderança dos candidatos.
Centro de Artes
Comenta-se,
aliás é título de primeira página, que o Centro de Artes (por ser um
projecto muito especial de Pedro Santana Lopes) deveria, após estar concluído,
ostentar o nome do actual presidente da Câmara.
As obras estão a crescer e tudo leva a crer, que os prazos possam vir a ser mais ou menos cumpridos. A Figueira ficaria assim dotada da ambicionada sala de espectáculos que há muito anseia.
A ideia está lançada, cabe aos figueirenses opinar sobre este assunto.
De novo em foco: a Quinta do Canal
Algumas
gralhas arreliadoras para nós, mas que os leitores facilmente terão corrigido
não atirando sobre nós a causa do seu poiso no nosso escrito sobre um assunto
tão interessante como aquele em que tratámos a figura de José de Seabra da
Silva, vieram proporcionar-mos oportunidade de voltarmos a falar de tão
importante figura de vida nacional, que desde 1757 tão importantes funções
desempenhou na vida portuguesa que iniciou com o favoritismo do Marquês de
Pombal, até cair em desgraça ocasionada por uma casualidade aparentemente
irrelevante mas que o levou ao degredo em África, nas terras desérticas de
Pungo Andongo, já depois de ter sido dono da grande propriedade agrícula da
Quinta do Canal que, como já frisámos na nossa última crónica, lhe fora dada
pelo que foi seu grande amigo e admirador, o Marquês de Pombal.
O motivo do seu degredo foi a ingénua revelação por ele feita à rainha de que seria substituída no seu cargo após a sua morte pelo príncipe D. José, que afinal morreu quando era ainda criança. José de Seabra da Silva imputou sempre a sua desgraça a intrigas do Cardeal da Cunha, e isto mesmo foi confirmado pelo Marquês de Pombal, no depoimento judicial prestado após a sua queda. Quando o rei D. José adoeceu gravemente, assumiu a regência do Reino a Rainha D. Mariana Vitória, que imediatamente fez expedir um decreto no qual era ordenado ao governador de Angola D. António de Lencastre que, sem perda de tempo fosse buscar José de Seabra a Pungo Andongo e o trouxesse para Loanda, tratando-o com todas as honras que merecia um ministro do seu caracter e estimação, fazendo-o conduzir ao reino " com todas as comodidades e despesas que foram precisas para o seu transporte", por tudo ser do seu real agrado.
Uma
tão grande diferença entre os termos efectuosos deste decreto da Rainha e os
do seu real marido, foram entendidos devidamente e José de Seabra da Silva
chegou a Lisboa, onde já o aguardavam sua esposa, que até então residira ora
na Quinta do Canal, ora em Vale de Besteiros, junto a Tondela. Foi recebido com
grandes manifestações de agrado, e acompanhado pelas principais pessoas da
corte até à sua residência em S. Sebastião da Pedreira.
Dali regressaram, ele e a família para a Quinta do Canal, onde fixou residência, sendo depois agraciado com a comenda de S. Miguel de Oliveira de Azemeis, da Ordem de Cristo, e mais tarde nomeado presidente da Junta do Código.
D. Maria I ilibara-o de toda a culpa em 1778, mandando riscar (ou apagar) em todos livros qualquer ordem que se achasse registada e fosse contra ele expedida, por entender - dizia mais o decreto - que "os procedimentos contra ele se praticaram tinham sido originados por falsa e afectadas informações".
Na Quinta do Canal residiu até 1778, ano em que por falecimento do Visconde de Vila Nova de Carveira, ministro do Reino, foi José de Seabra nomeado para o substituir.
A pasta do Reino, como nos ensina mestre Pedro Fernandes Tomás, era também dependente de José de Seabra, compreendendo também as pastas da justiça, eclesiásticas e outras delicadas funções, sendo padrões do seu talento governativo, a fundação da Biblioteca Pública de Lisboa, o desenvolvimento dos estudos na Universidade e a protecção à Academia Real das Ciências, a protecção contra os alunos da jurisdição eclesiástica e com referência ao ensino ministrado pelas ordens religiosas, etc.
No que respeita a obras públicas, mandou proceder a trabalhos importantes na barra do Porto, construir a estrada de Lisboa ao Porto, do Porto à Foz, do Alto Douro, e fez estabelecer um serviço regular de diligências entre Lisboa e Coimbra. Ocupou-se da canalização do Rio Mondego e de abertura de vários canais destinados a ligar o Tejo com o Sado, e este com o Guadiana.
Em 1796, o príncipe regente, depois D. João VI, agradeciou o título de Visconde da Baia o filho primogénito de José de Seabra, Manuel Maria Pereira Coutinho de Seabra e Sousa, sendo concedido o título a este filho, e não ao pai porque era o filho que descendia, pelo lado materno, dos primeiros donatários da cidade da Baía.
Em Agosto de 1799, é José de Seabra vítima de mais uma fatalidade, sendo destituído de ministro e desterrado para a Quinta do Canal, que era sua.
A causa desta nova desgraça é a seguinte, segundo nos diz ainda Mestre Pedro.
Achando-se, em 1792, completamente louca D. Maria I, e ouvidos diferentes médicos que a consideraram completamente incapaz de conduzir os negócios públicos, decidiram os ministros, entre os quais se contava José de Seabra, que o príncipe D. João fosse encarregado de governar o reino, mas, tal como se fazia em Inglaterra com a loucura de Jorge III, o príncipe D. João resolveu tomar o título de regente... Em Conselho de Ministros que se seguiu, José de Seabra foi de opinião que tal não se podia fazer, sem serem consultados os três Estados do Reino, convocando-o Cortes para esse fim.
Ao ouvir falar em Cortes, foi enorme a indignação do pusilânime e inapto Regente, que via em toda a parte o aspecto sangrento de Luís XVI e receava que das Cortes saísse uma nova convenção, e sem demora fez expedir contra o impendente ministro, que acusara de revolucionário, um decreto que o exautorar de todos os seus cargos e empregos e ordenava que este no espaço de três dias abandonasse a Corte e a cidade de Lisboa, expulsando-o para a Quinta do Canal, de onde não poderia sair sem a sua autorização.
Ali residiu ainda perto de cinco anos.
O infeliz governante volta a instalar-se na Quinta do Canal, de nada valendo as tentativas dos amigos e parentes para que o príncipe regente consentisse no seu regresso a Lisboa, não consentindo mesmo que ele assistisse ao casamento de seu filho, o Visconde da Baía, que se realizou em volta 1803; Mas em 1804 D. João VI, cedendo as repetidas instâncias da esposa e amigos do desterrado atendendo à sua proveta idade, contínua a grave doença e pouco sadio sitio do Canal, permitiu-lhe que fosse residir para a sua casa com a filha do Conde de Rio Maior, de Lisboa, sem contudo lhe permitir fazer parte da corte.
Por ocasião da invasão francesa, Junet convidou José de Seabra para Ministro do Interior, honra que ele recusou, não pactuando com os invasores e sendo até um dos organizadores da Sociedade Restauradora para combater os franceses. Os seus filhos alistaram-se no exercito anglo-luso, sendo morto na batalha do Bussaco o mais novo, capitão António Coutinho de Seabra, capitão de Infantaria 8.
José de Seabra morreu em Lisboa em 1813, contando 84 anos de idade.
Ainda teríamos mais a escrever sobre a biografia de José de Seabra da Silva, nomeadamente mostrando uma fotografia dele bastante desfocada e que deve encontrar-se no Museu Municipal, e uma carta que Augusto Goltz de Carvalho dirigiu a Mestre Pedro Fernandes Tomás, reclamando interessante facto de o nosso biografado ter tido parentes nascido em Buarcos ou ali residentes.
Mas tendo receio que este trabalho ir já bastante além das possibilidades de espaço que o amigo Director de "O Figueirense" Sr. António Jorge Lé gentilmente nos tem dispensado. Poderá ficar para outra oportunidade, se isso nos for solicitado.