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03 de Setembro de 1999

Efeméride

Casino da Figueira faz hoje 115 anos

Os despiques partidários entre progressistas e regeneradores provocaram grandes desenvolvimentos na Figueira da Foz. Em Abril de 1884 os progressistas locais decidiram iniciar os trabalhos com vista à edificação do Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, a quem se deve a iniciativa da construção do ramal ferroviário entre Pampilhosa e Figueira.

Volvidos alguns meses — 3 de Setembro — era solemenente inaugurado o referido Teatro, a maior casa de espectáculos do país até ser construído o Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

O arquitecto José Luís Monteiro desenhou o edifício. O Teatro, amplo e circular, poderia albergar mais de três mil pessoas e passou a acolher as melhores companhias estrangeiras de ópera e os nomes mais importantes do espectáculo lírico internacional.

A inauguração

Naquela quarta-feira ventosa a sala esgotou. Colocaram-se mais 120 cadeiras, para além da sobrelotação da geral.

Na rua (desde as sete da tarde) estava a Sociedade Filarmónica Figueirense, também ela com fortes ligações ao partido progressista local, que interpretou trechos musicais até ao início do espectáculo de inauguração. Depois de ecoar o hino, expressamente composto para o Teatro, e de autoria de Francisco Xavier Roth, regente da referida banda, o actor Augusto Melo declamou uma poesia do figueirense Acácio Antunes.

Por entre poesias, o espectáculo prosseguiu. Na segunda parte, representou-se o drama "As Noites da Índia", apresentado pela Companhia de Teatro Baquet, do Porto.

Ao Teatro-Circo Saraiva de Carvalho sucedeu mais tarde o Grande Casino Peninsular.

Passados 115 anos, o Casino da Figueira assinala hoje a data e O Figueirense recorda o velho Pátio das Galinhas através desta imagem que reproduz.