![]()
19 de Fevereiro de 1999
Arte
Inaugurada "Galeria do Casino""A arte é qualquer coisa de sólido e de eterno"
Diz Beja da Silva
Na tarde do passado sábado o galerista figueirense Beja da Silva reabriu as portas da "Galeria do Casino", um espaço pertencente ao Casino da Figueira e que classifica como "o melhor da zona centro".
Nas paredes pontuavam obras de Maria João Franco, Armando Passos, Rocha de Sousa, Bual, Jacinto Luís, Guilherme Parente, Noronha da Costa, Júlio Pomar, DaRocha e António Pimentel. Com entrada pela Rua Cândido dos Reis, a nova galeria do Casino abre diariamente das 10 às 19 horas. Sem formalismos ou protocolos burocráticos, Beja da Silva recebeu o grupo de amantes da arte numa galeria que dignifica o próprio nome dessa vertente cultural. Conversou com O Figueirense e transmitiu a sua maneira de ver e sentir a arte, "uma paixão de sempre". |
|
No movimento artístico actual, pinta-se como arte ou para vender?
A arte neste momento é um bom investimento, é de crer que haja pintores que ponham a parte financeira em primeiro lugar. Continua-se a pintar pela arte e vende-se porque é preciso subsistir, é preciso que haja bons pintores e galeristas que ajudem a canalizar as obras dos artistas. Mas penso que, que facto, se continua a pintar pelo amor à arte e pela paixão que a pintura e a escultura envolvem em cada gesto e em cada momento do artista.
Qual o relacionamento entre o cidadão Beja da Silva e a arte?
Desde miúdo que tenho a paixão pela pintura, recordo-me que comprei o meu primeiro quadro quando tinha 12 anos, a um pintor figueirense que ainda é vivo. A partir de finais dos anos 60 (por volta de 68), comecei a comprar e vender pintura como segunda actividade; agora faço isto em full-time há cerca de 10 anos.
Maluda morreu. Há sucessores?
A Maluda era uma pintora sui generis, que fazia poucos óleos, poucos originais e que desenvolveu uma enorme actividade dentro das serigrafias. No género dela há outros pintores, estou a pensar num pintor espanhol radicado em Portugal, que se chama António Molina ou no Silva Palmeira.
Mas a Maluda de facto tinha um traço muito especial, um pouco geométrico, era uma paisagista muito interessante e que descobriu as janelas e os quiosques de Lisboa. A Maluda foi inovadora dentro de um tipo de pintura que é conhecido e que não é único.
Como classifica a "Galeria do Casino"?
A ideia é fazer deste espaço a galeria mais simpática e mais interessante da zona centro. O espaço é bom, agora é fundamental que a pintura e escultura que eu apresento sejam igualmente interessantes.
Mas como espaço físico, penso que é o melhor da zona centro.
O que é preciso para um pintor ter as suas obras expostas nesta galeria?
Nós temos de ser um bocadinho selectivos, fazemos anualmente algumas exposições com pintores locais; há pintores da terra com quem eu trabalho sistematicamente e desde sempre, caso de Mário Silva, Zé Penicheiro, Cunha Rocha, Tesha entre outros, e claro que terei sempre pinturas deles.
Mas terei o cuidado de organizar uma vez por ano uma exposição para os novos valores da Figueira da Foz e da zona centro.
Arrisque o nome do melhor pintor desta região
Seria deselegante da minha parte fazê-lo. Tenho evidentemente algumas preferências, gosto muito dos pintores com que trabalho, mas recuso-me a eleger um.
Como vê a política artística da Câmara? Mal. Penso que eles provavelmente ainda não tiveram tempo, mas vão tê-lo para se dedicarem a esse sector. Na sua opinião a arte é efémera? Não, eu penso que não, até pelo contrário: a arte fica, continuamos a gostar das coisas que gostávamos há dois mil anos. A pintura não é nada efémera, a escultura ainda menos, portanto penso que a arte é qualquer coisa de sólido e de eterno. |
|
|
|
|
|
|