|
Figueira
da Foz gastou sete milhões de contos
Os vereadores do
Partido Socialista votaram contra o relatório e contas do ano passado
da Câmara da Figueira da Foz. Nem os argumentos da maioria, que falou
de «consolidação do crescimento» da actividade da autarquia, os
convenceram a mudar o sentido de voto
As contas de gerência apresentadas demonstram um movimento de 7,9 milhões
de contos, naquele que foi considerado pela vereadora Maria do Rosário
Águas como «um ano económico fortemente condicionado pela não
concretização de muitas verbas estimadas», provenientes do III QCA e
de programas e protocolos nacionais. Como exemplos, foram apontados mais
de 300 mil contos de verbas governamentais que ainda não chegaram.
Ainda segundo a vereadora responsável pelo orçamento, a execução física
do ano passado rondou os 73%, a execução financeira das receitas
ascendeu aos 63% e a das despesas 82%. Ou seja, a autarquia gastou sete
milhões de contos, num movimento económico global de 7,9 milhões. O
crescimento das receitas totais chegou aos 4,5%, e o das despesas
ficou-se pelos 3,2%. No que diz respeito ao passivo bancário houve uma
redução de 16% e os encargos de leasing a longo prazo desceram 6%.
Números que, para Maria do Rosário, são a «confirmação física dos
investimentos, do equilíbrio económico e financeiro da autarquia».
Uma «estratégia política», que abarcou segundo aquela responsável,
a educação (cerca de 300 mil contos), mais 73% do que em 1999, a
cultura, o desporto e os tempos livres, num total de 450 mil contos, a
acção social, habitação e urbanização, saneamento e salubridade,
cujos investimentos ascendem quase aos 2 milhões de contos, entre
muitas outras rubricas. Ou seja, para a vereadora, «o que não está
feito, está lançado».
O património adquirido e o valorizado, mereceu particular destaque,
assim como as candidaturas da autarquia ao III QCA, que ascenderam aos
3,4 milhões de contos e que representam, segundo aquela responsável,
«19% das candidaturas no total da Região Centro», sendo que a
Figueira da Foz, disse, apenas representa 1% em população e área, o
que «demonstra o dinamismo».
No entanto, a vereadora do PS Natércia Crisanto, considerou que o que
foi apresentado foi mais «um relatório de 3 anos de actividade», que
poderá servir «para a campanha de Santana Lopes» e chamou a atenção
para a «discrepância» em relação às verbas transferidas para as
freguesias (cerca de 400 mil contos) e a gasta em animação cultural e
aquisição de serviços (perto de um milhão de contos), além da «diferença
entre a previsão das receitas de capital e a sua concretização».
Natércia Crisanto, a única voz que se fez ouvir por parte do PS,
lembrou que «já se fizeram reajustamentos ao orçamento e mesmo assim
houve optimismo, quer em relação às despesas, quer às receitas de
capital». Na óptica da vereadora socialistas, não se justifica a
diferença entre a previsão e a execução verificada nos documentos.
Face a estes argumentos, os elementos da oposição votaram contra.
Bela
Coutinho
|