Diário de Coimbra
Sabado, 31 de Março 2001

 

Figueira da Foz gastou sete milhões de contos
Os vereadores do Partido Socialista votaram contra o relatório e contas do ano passado da Câmara da Figueira da Foz. Nem os argumentos da maioria, que falou de «consolidação do crescimento» da actividade da autarquia, os convenceram a mudar o sentido de voto

As contas de gerência apresentadas demonstram um movimento de 7,9 milhões de contos, naquele que foi considerado pela vereadora Maria do Rosário Águas como «um ano económico fortemente condicionado pela não concretização de muitas verbas estimadas», provenientes do III QCA e de programas e protocolos nacionais. Como exemplos, foram apontados mais de 300 mil contos de verbas governamentais que ainda não chegaram.
Ainda segundo a vereadora responsável pelo orçamento, a execução física do ano passado rondou os 73%, a execução financeira das receitas ascendeu aos 63% e a das despesas 82%. Ou seja, a autarquia gastou sete milhões de contos, num movimento económico global de 7,9 milhões. O crescimento das receitas totais chegou aos 4,5%, e o das despesas ficou-se pelos 3,2%. No que diz respeito ao passivo bancário houve uma redução de 16% e os encargos de leasing a longo prazo desceram 6%.
Números que, para Maria do Rosário, são a «confirmação física dos investimentos, do equilíbrio económico e financeiro da autarquia». Uma «estratégia política», que abarcou segundo aquela responsável, a educação (cerca de 300 mil contos), mais 73% do que em 1999, a cultura, o desporto e os tempos livres, num total de 450 mil contos, a acção social, habitação e urbanização, saneamento e salubridade, cujos investimentos ascendem quase aos 2 milhões de contos, entre muitas outras rubricas. Ou seja, para a vereadora, «o que não está feito, está lançado».
O património adquirido e o valorizado, mereceu particular destaque, assim como as candidaturas da autarquia ao III QCA, que ascenderam aos 3,4 milhões de contos e que representam, segundo aquela responsável, «19% das candidaturas no total da Região Centro», sendo que a Figueira da Foz, disse, apenas representa 1% em população e área, o que «demonstra o dinamismo».
No entanto, a vereadora do PS Natércia Crisanto, considerou que o que foi apresentado foi mais «um relatório de 3 anos de actividade», que poderá servir «para a campanha de Santana Lopes» e chamou a atenção para a «discrepância» em relação às verbas transferidas para as freguesias (cerca de 400 mil contos) e a gasta em animação cultural e aquisição de serviços (perto de um milhão de contos), além da «diferença entre a previsão das receitas de capital e a sua concretização».
Natércia Crisanto, a única voz que se fez ouvir por parte do PS, lembrou que «já se fizeram reajustamentos ao orçamento e mesmo assim houve optimismo, quer em relação às despesas, quer às receitas de capital». Na óptica da vereadora socialistas, não se justifica a diferença entre a previsão e a execução verificada nos documentos. Face a estes argumentos, os elementos da oposição votaram contra.  

 

 

Bela Coutinho

 

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