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Falta
de clientes e de legislação preocupa responsáveis
A empresa concessionária
dos transportes inter-urbanos, AVIC/Farreca Rodrigues, admite
candidatar-se ao concurso público da autarquia que reivindica melhores
transportes e diz-se disponível para o diálogo. No entanto, os seus
responsáveis não têm dúvidas e garantem que para melhorar a
qualidade, os tarifários terão de ser aumentados.
Os responsáveis pela AVIC/Farreca Rodrigues, a concessionária dos
transportes públicos inter-urbanos no concelho, quiseram clarificar
eventuais dúvidas quanto ao serviço que têm prestado. Em causa está
a abertura de um concurso público por parte da autarquia - que
reivindica mais e melhores transportes - e as dificuldades com que a
empresa se debate, face à legislação em vigor e os preços
praticados.
António Cunha, pioneiro no sector dos transportes em autocarros, não
admite sequer que seja colocado em causa o lema da empresa,
“servir”. Galardoado com diversos prémios e distinções, mesmo na
Figueira da Foz, aquele responsável não tem dúvidas quanto à falta
de adequação da legislação em vigor e garante que esta «tem de
mudar», e que com os preços actuais, «é praticamente impossível
pensar em modernização», uma vez que o actual tarifário «quase que
não o podemos suportar».
Menos contundente é Valdemar Cunha, outro dos responsáveis pela
empresa. Diz-se «aberto ao diálogo» com a autarquia, afirmando que «a
empresa não se furtou ao diálogo e suponho que também a Câmara não»
até porque, sustenta «o diálogo é profícuo e estamos dispostos a
conversar para ir ao encontro das necessidades da população».
No entanto, e apesar de não conhecer o caderno de encargos do concurso
do município, considera que terão de efectuar a análise e um estudo
financeiro, não refutando a hipótese de concorrer, uma vez que,
defende, «se continuámos a servir em fases difíceis não é agora,
que a Câmara tem proporcionado uma imagem de desenvolvimento, que vamos
deixar de responder a esse desafio».
Detentores das carreiras regulares, licenciadas pela Direcção de
Transportes Terrestres, aqueles responsáveis temem que possam vir a
existir eventuais sobreposições e recordam que os transportes que são
assegurados pelas autarquias estão a dar prejuízos em todo o país,
dando como exemplo diversas cidades como Braga ou Coimbra. Daí a «necessidade
premente» de alteração da legislação, afirmou.
Recorde-se que, recentemente, o vereador Miguel Almeida admitiu que, uma
das soluções para servir diversas freguesias do concelho poderia
passar por mini-autocarros ou taxis, a exemplo do que já acontece
noutros concelhos. Na altura, aquele responsável considerou que o mais
importante seria «revolucionar definitivamente o sistema de transportes».
Bela
Coutinho
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