Diário de Coimbra
Terça-feira, 20 de Março 2001

 

Falta de clientes e de legislação preocupa responsáveis
A empresa concessionária dos transportes inter-urbanos, AVIC/Farreca Rodrigues, admite candidatar-se ao concurso público da autarquia que reivindica melhores transportes e diz-se disponível para o diálogo. No entanto, os seus responsáveis não têm dúvidas e garantem que para melhorar a qualidade, os tarifários terão de ser aumentados.

Os responsáveis pela AVIC/Farreca Rodrigues, a concessionária dos transportes públicos inter-urbanos no concelho, quiseram clarificar eventuais dúvidas quanto ao serviço que têm prestado. Em causa está a abertura de um concurso público por parte da autarquia - que reivindica mais e melhores transportes - e as dificuldades com que a empresa se debate, face à legislação em vigor e os preços praticados.
António Cunha, pioneiro no sector dos transportes em autocarros, não admite sequer que seja colocado em causa o lema da empresa, “servir”. Galardoado com diversos prémios e distinções, mesmo na Figueira da Foz, aquele responsável não tem dúvidas quanto à falta de adequação da legislação em vigor e garante que esta «tem de mudar», e que com os preços actuais, «é praticamente impossível pensar em modernização», uma vez que o actual tarifário «quase que não o podemos suportar».
Menos contundente é Valdemar Cunha, outro dos responsáveis pela empresa. Diz-se «aberto ao diálogo» com a autarquia, afirmando que «a empresa não se furtou ao diálogo e suponho que também a Câmara não» até porque, sustenta «o diálogo é profícuo e estamos dispostos a conversar para ir ao encontro das necessidades da população».
No entanto, e apesar de não conhecer o caderno de encargos do concurso do município, considera que terão de efectuar a análise e um estudo financeiro, não refutando a hipótese de concorrer, uma vez que, defende, «se continuámos a servir em fases difíceis não é agora, que a Câmara tem proporcionado uma imagem de desenvolvimento, que vamos deixar de responder a esse desafio».
Detentores das carreiras regulares, licenciadas pela Direcção de Transportes Terrestres, aqueles responsáveis temem que possam vir a existir eventuais sobreposições e recordam que os transportes que são assegurados pelas autarquias estão a dar prejuízos em todo o país, dando como exemplo diversas cidades como Braga ou Coimbra. Daí a «necessidade premente» de alteração da legislação, afirmou.
Recorde-se que, recentemente, o vereador Miguel Almeida admitiu que, uma das soluções para servir diversas freguesias do concelho poderia passar por mini-autocarros ou taxis, a exemplo do que já acontece noutros concelhos. Na altura, aquele responsável considerou que o mais importante seria «revolucionar definitivamente o sistema de transportes».  

 

 

Bela Coutinho

 

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