Diário de Coimbra
Quarta-feira, 14 de Março 2001

Pesca de crustáceos tem moderno arrastão
Um dos mais modernos arrastões construídos em Portugal foi ontem lançado à água. Trata-se do “Aurora Boreal”, com 26,5 metros de comprimento, 7,20 de largura e 120 toneladas de peso bruto e que custa 230 mil contos, comparticipados em 60% por verbas comunitárias.
Foi um dia de festa para José Fortunato Inácio, natural da Fuzeta, em Olhão, e cuja família há décadas se dedica à actividade. João Inácio, um dos sócios, mantém a “esperança” de que a pesca de crustáceos continue a dar, pelo menos «como até aqui», até porque «o investimento foi grande».
Esta embarcação, a primeira do género, construída pelo consórcio Naval Foz/Foznave/Astinava, vai permitir com a sua tecnologia, uma maior segurança e condições de habitabilidade para toda a tripulação, assim como melhorias no acondicionamento do pescado, medidas que o secretário de Estado das Pescas elogiou, não esquecendo o «espírito de risco» de toda a comunidade piscatória. José Apolinário recordou que «uma pesca sustentável tem de ter a componente da preservação dos recursos e modernização da frota», considerando por isso que o número destas embarcações poderá diminuir, mas as 35 que estão construídas «possuem outras condições».
Por isso, e referindo-se às tecnologias, (capacidade e eficiência) alertou para a necessidade de «cuidados em relação aos recursos», até porque, na última década aumentou o número de gambas mas diminuiu o de lagostins.
Aos pescadores apelou para que se «organizem», na identificação geográfica, «para o pescado não ser vendido com outra identificação» e para que cumpram o que está legislado, particularmente os da pesca local e costeira, actualizando os seguros e cumprindo todas as regras de segurança. Aliás, deixou o aviso de que, no âmbito do 3.º QCA, «não há apoios sem apresentação do seguro do casco da embarcação».  

 

 

B. C.

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