Diário de Coimbra
Quarta-feira, 30 de Maio 2001

 Centro de Saúde da terceira geração na Figueira da Foz
O Centro de Saúde da Figueira da Foz vai ser um dos primeiros no país a implementar a «autonomia de gestão» até ao final do ano. Depois de um processo de reorganização interna, trabalha-se actualmente numa «descentralização da gestão», para permitir aos quase 70 mil utentes, mais e melhores serviços

Com um orçamento de 2,5 milhões de contos e quase 160 funcionários, o Centro de Saúde da Figueira da Foz entrou num processo de «reorganização interna», para descentralizar a gestão e tornar-se «menos pesado», gerando assim «uma resposta mais adequada». Nessa reorganização, «quase concluída», segundo o seu director, criaram-se quatro zonas, a urbana um, que engloba as freguesias de S. Julião e Vila Verde, a urbana dois, com Buarcos e Quiaios, e as zonas norte e sul, com todas as outras freguesias, conforme a sua situação geográfica.
Este é um modelo que, para Victor Sarmento, «é melhor que o anterior», e prepara aquele organismo para a nova Lei da Saúde que se avizinha, com autonomia de gestão e que permite também «uma maior responsabilidade, maior e melhor resposta aos cuidados de saúde e a satisfação de todos os profissionais», disse. Esta nova dinâmica permitiu também a criação de nove programas de medicina preventiva, apresentados na passada segunda-feira, na presença do presidente da ARS de Coimbra e da Coordenadora Regional de Saúde.
Hermínia Simões, depois de conhecer os programas de acção, considerou não ter sido «por acaso», que o Centro de Saúde da Figueira «foi escolhido» para ser piloto, nos centros de terceira geração. Considerando-o «extremamente avançado», em relação a outros centros de saúde, a coordenadora regional sublinhou que quem vai beneficiar «é a população».

Grupo de Promoção
da saúde lança nove
programas preventivos

Palavras de apreço subscritas por José Cabeças, que aproveitou para convidar o director do Centro de Saúde Victor Sarmento a apresentar os programas noutros centros da região. É que para o presidente da ARS de Coimbra «houve um perfeito entendimento do que deve ser a rede do Serviço Nacional de Saúde», ao mesmo tempo que defendeu que os nove programas abrangem «aquilo que entendemos que devem ser as prioridades». José Cabeças entende que um centro de saúde «deve deixar de ser centro de doença» e por isso, o apreço quanto ao trabalho que vise a prevenção.
Uma equipa multidisciplinar, composta por vinte profissionais da saúde do concelho, tem estado, desde Janeiro deste ano, a trabalhar em nove programas de medicina preventiva, dando prioridade a algumas áreas importantes para promover a saúde, prevenindo a doença e despistando-a precocemente.
Estes programas foram já apresentados a vários conselhos directivos das escolas dos 2.º e 3.º ciclos, e a todas as do 1.º ciclo e alguns jardins de infância. Neste último caso, com particular incidência no programa da “Vacinação”, o «pilar fundamental da medicina preventiva», e que visa melhorar a cobertura vacinal e diminuir a incidência das doenças evitáveis pela vacinação.
Também a “Saúde Oral” tem como público alvo particularmente os mais pequenos, com acções de educação, através de uma higienista oral, contratada pelo Centro de Saúde, assim como o programa “Saúde Escolar”, com exames globais a pelo menos 25% do total de crianças que fazem 6 anos em 2001.
Os programas “Prevenção do Tabagismo”, “Prevenção do Alcoolismo” e “Sexualidade, Contracepção e Doenças Sexualmente Transmissíveis” englobam acções de formação nos estabelecimentos de ensino, folhetos informativos a todos e uma forte campanha publicitária, alertando para os riscos. O “Rastreio do Cancro de Mama” é para todas as mulheres inscritas no Centro de Saúde com idades entre os 45 e os 69 anos e pretende alertar a opinião pública para a importância da prevenção do cancro.
Finalmente, a “Campanha de Verão” vai ter acções específicas nas praias com a intervenção dos nadadores-salvadores e bares, e a “Promoção da Qualidade das Águas e dos Alimentos” pretende alertar para questões como a conservação dos alimentos, os cuidados a ter para prevenir as intoxicações, o alerta em relação à qualidade das águas, particularmente, nas zonas rurais, entre outras acções.  

 

 

Bela Coutinho

 

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