Diário de Coimbra
Sabado, 26 de Maio 2001

 População critica insegurança nocturna
“Falta de segurança pública na Figueira da Foz” é o título de um comunicado que ontem terá sido enviado, alegadamente, por um grupo de empresários, sob anonimato, a várias entidades com responsabilidade na matéria a nível local e nacional

Após «vários anos de terror, violência e intimidações constantes», supõe-se que em estabelecimentos comerciais e de restauração da cidade, «por parte de várias pessoas e grupos organizados de etnia cigana», os subscritores anónimos pensam ter chegado o momento de «dizer basta».
Explicam que os factos são «de tal forma graves» que os impedem de se identificarem, referindo que há «pessoas que já têm medo de sair das suas residências».
Naquele comunicado – que terá sido enviado, em simultâneo, para os gabinetes da Presidência da República, do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna, bem como para o governador civil de Coimbra, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, comandantes da PSP local e distrital, Protecção Civil e bancadas parlamentares dos partidos políticos – os empresários anónimos afirmam que a «intranquilidade não existe só à noite».
Para os responsáveis pelo comunicado, a insegurança é antes «bem patente nos restaurantes, no comércio e até nas escolas», escrevem.
Os “empresários figueirenses”, conforme terminam o documento, afirmam que as situações ocorridas durante a noite são «mais do conhecimento público», por acontecerem em «locais mais mediáticos» e ainda por «as pessoas ligadas a outras actividades se calarem com receio de retaliações».
«Situações de violência gratuita», «anarquia total» ou «paraíso para determinados grupos de pessoas de etnia cigana que têm por missão semear o pânico e o medo entre a população» são algumas expressões utilizadas para descreverem o clima que dizem estar a viver na cidade.
O grupo de empresários questiona se é preciso esperar por «momentos de derramamento de sangue e mortes» para que se tomem «decisões firmes».

Se não há queixas...

Porém, sempre salientam a «pronta disponibilidade, dentro do “possível”, por parte da PSP da Figueira da Foz, com limitações e condicionada aos meios existentes».
Por fim, terminam o comunicado exigindo «uma polícia de segurança pública que possa estar preparada para qualquer situação», como contribuintes que são.
Contactado pelo nosso Jornal, o comandante distrital da PSP, Azevedo Sobral, disse que a segurança foi restabelecida na Figueira da Foz após os últimos dois desacatos e revelou «estranheza» por os “empresários” não assinarem o documento, que ontem ainda não tinha recebido.
Segundo o superintendente, «houve um problema de agressão a um elemento de etnia cigana» e houve «um grupo» que depois «atacou um dos agressores desse elemento».
Diz Azevedo Sobral que na altura foram «canalizados meios para que os incidentes não se prolongassem», que a «polícia reforçou a vigilância a esses indivíduos» e que «os acidentes não se repetiram».
O comandante da PSP afirma ainda que a «vigilância será maior durante os meses que se avizinham, de grande turismo», já a partir de Junho, mas sem querer alarmar as populações: «Será reforçada com é todos os anos, considerando o número elevado de turistas».
Azevedo Sobral garante que «as noites na Figueira vão ser seguras» e que «a PSP não permitirá altercações».
Por outro lado, apela aos deveres do cidadão. «Tenho de me basear em factos concretos e em honestidade. Se não há queixas tenho de partir do princípio que há normalidade. Não estamos num país em que as pessoas estão aterrorizadas. Cada cidadão tem de saber exercer o seu dever de cidadão. A denúncia de um acto de violência é um exercício de cidadania», conclui.  

 

 

Carlo Santos

 

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