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População
critica insegurança nocturna
“Falta de segurança
pública na Figueira da Foz” é o título de um comunicado que ontem
terá sido enviado, alegadamente, por um grupo de empresários, sob
anonimato, a várias entidades com responsabilidade na matéria a nível
local e nacional
Após «vários anos de terror, violência e intimidações constantes»,
supõe-se que em estabelecimentos comerciais e de restauração da
cidade, «por parte de várias pessoas e grupos organizados de etnia
cigana», os subscritores anónimos pensam ter chegado o momento de «dizer
basta».
Explicam que os factos são «de tal forma graves» que os impedem de se
identificarem, referindo que há «pessoas que já têm medo de sair das
suas residências».
Naquele comunicado – que terá sido enviado, em simultâneo, para os
gabinetes da Presidência da República, do primeiro-ministro e do
ministro da Administração Interna, bem como para o governador civil de
Coimbra, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, comandantes
da PSP local e distrital, Protecção Civil e bancadas parlamentares dos
partidos políticos – os empresários anónimos afirmam que a «intranquilidade
não existe só à noite».
Para os responsáveis pelo comunicado, a insegurança é antes «bem
patente nos restaurantes, no comércio e até nas escolas», escrevem.
Os “empresários figueirenses”, conforme terminam o documento,
afirmam que as situações ocorridas durante a noite são «mais do
conhecimento público», por acontecerem em «locais mais mediáticos»
e ainda por «as pessoas ligadas a outras actividades se calarem com
receio de retaliações».
«Situações de violência gratuita», «anarquia total» ou «paraíso
para determinados grupos de pessoas de etnia cigana que têm por missão
semear o pânico e o medo entre a população» são algumas expressões
utilizadas para descreverem o clima que dizem estar a viver na cidade.
O grupo de empresários questiona se é preciso esperar por «momentos
de derramamento de sangue e mortes» para que se tomem «decisões
firmes».
Se não há queixas...
Porém, sempre salientam a «pronta disponibilidade, dentro do “possível”,
por parte da PSP da Figueira da Foz, com limitações e condicionada aos
meios existentes».
Por fim, terminam o comunicado exigindo «uma polícia de segurança pública
que possa estar preparada para qualquer situação», como contribuintes
que são.
Contactado pelo nosso Jornal, o comandante distrital da PSP, Azevedo
Sobral, disse que a segurança foi restabelecida na Figueira da Foz após
os últimos dois desacatos e revelou «estranheza» por os “empresários”
não assinarem o documento, que ontem ainda não tinha recebido.
Segundo o superintendente, «houve um problema de agressão a um
elemento de etnia cigana» e houve «um grupo» que depois «atacou um
dos agressores desse elemento».
Diz Azevedo Sobral que na altura foram «canalizados meios para que os
incidentes não se prolongassem», que a «polícia reforçou a vigilância
a esses indivíduos» e que «os acidentes não se repetiram».
O comandante da PSP afirma ainda que a «vigilância será maior durante
os meses que se avizinham, de grande turismo», já a partir de Junho,
mas sem querer alarmar as populações: «Será reforçada com é todos
os anos, considerando o número elevado de turistas».
Azevedo Sobral garante que «as noites na Figueira vão ser seguras» e
que «a PSP não permitirá altercações».
Por outro lado, apela aos deveres do cidadão. «Tenho de me basear em
factos concretos e em honestidade. Se não há queixas tenho de partir
do princípio que há normalidade. Não estamos num país em que as
pessoas estão aterrorizadas. Cada cidadão tem de saber exercer o seu
dever de cidadão. A denúncia de um acto de violência é um exercício
de cidadania», conclui.
Carlo
Santos
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