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Cinco
mil pessoas foram ao teatro
Centenas de pessoas
assistiram ontem ao encerramento da 24.ª edição das Jornadas de
Teatro Amador do Lions Clube da Figueira da Foz, numa tarde plena de emoção,
com o ponto mais alto na homenagem a Rosa Nogueira, que dedicou mais de
70 anos da sua vida ao teatro amador
«Sinto-me pequenina perante tantos grandes actores». Palavras da
actriz Maria João Abreu, depois de uma tarde no Casino em que o teatro
foi rei, com pequenas representações a cargo do Grupo Instrução
Quiaense e de um grupo de professores da Escola Secundária Dr. Joaquim
de Carvalho, que conseguiram arrancar vivas gargalhadas ao público
atento.
Também o conhecido actor José Raposo, visivelmente emocionado, admitiu
estar perante «valores muito altos», recordando que foi como amador
que se iniciou e que é «o teatro amador que mantém viva a alma do
teatro».
Nas Jornadas de Teatro Amador, iniciativa do Lions Clube da Figueira da
Foz, foram representadas por diversas colectividades do concelho 25 peças
de teatro, vistas por mais de 5.500 pessoas. Números considerados «francamente
positivos» por Sebastião Estrócio, vice-presidente do Lions, que
enalteceu o apoio que a autarquia tem dado à iniciativa.
Também Daniel Santos considerou que «em boa hora» a autarquia se
empenhou no apoio a este certame, recordando que nos quatro anos de
mandato foram investidos nas jornadas cerca de 30 mil contos. A Câmara,
segundo o vice- presidente, «soube interpretar a vontade das populações»,
no que respeita ao teatro e, por isso, o «orgulho» de ter dado todo o
apoio.
Um reconhecimento que também existiu por parte do governador Civil Horácio
Antunes, que fez questão de sublinhar a importância do trabalho
desenvolvido, garantindo que o interesse destas jornadas «é enorme»,
e defendendo por isso a necessidade de haver por parte do Governo «disponibilidade
financeira para ajudar as Jornadas e as colectividades de todo o
Distrito».
Dedicação ao teatro
ao longo de décadas
O ponto alto na cerimónia, que teve como orador oficial o professor
Pedro Pita, foi alcançado com a homenagem e entrega da medalha de mérito
da autarquia em prata dourada a quatro figueirenses que dedicaram toda a
sua vida ao teatro. Rosa Nogueira, de 86 anos e mais de 70 dedicados ao
teatro no Quiaios Clube, arrancou vivas gargalhadas a todos os
presentes, ao recordar as recomendações na longínqua década dos anos
trinta.
«A menina vai para o teatro, mas não dá confiança aos rapazes»,
recomendou-lhe na altura a madrinha que a criou. E assim, nasceu aquele
que foi um dos grandes amores da sua vida, a paixão pelo teatro, que
ainda hoje prevalece.
Maria Luísa Nunes Ferreira, que representou pela primeira vez em 1945
na Sociedade Boa União Alhadense e que se destacou particularmente nas
operetas, também viu o seu trabalho como amadora reconhecido,
continuando a participar na encenação de várias peças e
desempenhando as funções de presidente da Assembleia Geral da casa que
a viu nascer para o teatro. Também António Simões Parente foi
homenageado e mostrou todo o seu valor em palco, com a representação
de um sktech sobre a Figueira de antigamente. Sempre dedicado ao Grupo
Instrução e Recreio Quiaense, do qual é presidente, não deixou o crédito
por mãos alheias e todos puderam sentir o poder da sua voz e a força
da sua presença.
Quiaense de corpo e alma, aspira ao «milagre» de alcançar a cobertura
para o polidesportivo da colectividade, que ajudou a construir. Quanto a
Augusto Saraiva Afonso, partilhou a distinção com o Grupo Recreativo
Vilaverdense, onde há mais de meio século se dedica ao teatro.
Bela
Coutinho
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