Diário de Coimbra
Segunda-feira, 21 de Maio 2001

Cinco mil pessoas foram ao teatro
Centenas de pessoas assistiram ontem ao encerramento da 24.ª edição das Jornadas de Teatro Amador do Lions Clube da Figueira da Foz, numa tarde plena de emoção, com o ponto mais alto na homenagem a Rosa Nogueira, que dedicou mais de 70 anos da sua vida ao teatro amador

«Sinto-me pequenina perante tantos grandes actores». Palavras da actriz Maria João Abreu, depois de uma tarde no Casino em que o teatro foi rei, com pequenas representações a cargo do Grupo Instrução Quiaense e de um grupo de professores da Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho, que conseguiram arrancar vivas gargalhadas ao público atento.
Também o conhecido actor José Raposo, visivelmente emocionado, admitiu estar perante «valores muito altos», recordando que foi como amador que se iniciou e que é «o teatro amador que mantém viva a alma do teatro».
Nas Jornadas de Teatro Amador, iniciativa do Lions Clube da Figueira da Foz, foram representadas por diversas colectividades do concelho 25 peças de teatro, vistas por mais de 5.500 pessoas. Números considerados «francamente positivos» por Sebastião Estrócio, vice-presidente do Lions, que enalteceu o apoio que a autarquia tem dado à iniciativa.
Também Daniel Santos considerou que «em boa hora» a autarquia se empenhou no apoio a este certame, recordando que nos quatro anos de mandato foram investidos nas jornadas cerca de 30 mil contos. A Câmara, segundo o vice- presidente, «soube interpretar a vontade das populações», no que respeita ao teatro e, por isso, o «orgulho» de ter dado todo o apoio.
Um reconhecimento que também existiu por parte do governador Civil Horácio Antunes, que fez questão de sublinhar a importância do trabalho desenvolvido, garantindo que o interesse destas jornadas «é enorme», e defendendo por isso a necessidade de haver por parte do Governo «disponibilidade financeira para ajudar as Jornadas e as colectividades de todo o Distrito».

Dedicação ao teatro
ao longo de décadas

O ponto alto na cerimónia, que teve como orador oficial o professor Pedro Pita, foi alcançado com a homenagem e entrega da medalha de mérito da autarquia em prata dourada a quatro figueirenses que dedicaram toda a sua vida ao teatro. Rosa Nogueira, de 86 anos e mais de 70 dedicados ao teatro no Quiaios Clube, arrancou vivas gargalhadas a todos os presentes, ao recordar as recomendações na longínqua década dos anos trinta.
«A menina vai para o teatro, mas não dá confiança aos rapazes», recomendou-lhe na altura a madrinha que a criou. E assim, nasceu aquele que foi um dos grandes amores da sua vida, a paixão pelo teatro, que ainda hoje prevalece.
Maria Luísa Nunes Ferreira, que representou pela primeira vez em 1945 na Sociedade Boa União Alhadense e que se destacou particularmente nas operetas, também viu o seu trabalho como amadora reconhecido, continuando a participar na encenação de várias peças e desempenhando as funções de presidente da Assembleia Geral da casa que a viu nascer para o teatro. Também António Simões Parente foi homenageado e mostrou todo o seu valor em palco, com a representação de um sktech sobre a Figueira de antigamente. Sempre dedicado ao Grupo Instrução e Recreio Quiaense, do qual é presidente, não deixou o crédito por mãos alheias e todos puderam sentir o poder da sua voz e a força da sua presença.
Quiaense de corpo e alma, aspira ao «milagre» de alcançar a cobertura para o polidesportivo da colectividade, que ajudou a construir. Quanto a Augusto Saraiva Afonso, partilhou a distinção com o Grupo Recreativo Vilaverdense, onde há mais de meio século se dedica ao teatro. 

 

Bela Coutinho

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