Diário de Coimbra
Sábado, 19 de Maio 2001

Vivenda crivada de balas
A vivenda de um emigrante na Suiça foi alvo de duas dezenas de tiros, de vários calibres, que só não atingiram a dona da casa e a filha por um triz, quando estas estavam a ver televisão. O insólito é que os autores dos disparos terão atirado sobre a vivenda errada

Na tarde da passada quinta- feira, por volta das 16h00, um industrial da construção civil, que possui um armazém na Rua da Figueira da Foz, na Serra das Alhadas, apanhou em flagrante um indivíduo de etnia cigana a roubar-lhe material do armazém. Perante os factos, deu uma tareia no assaltante que, entretanto, fugiu.
À noite, cerca das 22h35, sem que ninguém se apercebesse de qualquer movimentação, ouviu-se na localidade um forte tiroteio - «até pareciam rajadas», dizia-nos um vizinho – e, num repente, uma vivenda ficou crivada de tiros.
Presume-se que, dois ou mais indivíduos, julgaram que a casa que fica em frente ao armazém assaltado seria pertença do industrial em questão, só que não era.
Os tiros ficaram crivados na parede da habitação (rés-do-chão e 1.º andar), tendo alguns dos projécteis atingido a persiana e vidros das portas da sala, atravessando as almofadas do sofá onde estavam sentadas a mãe e filha, de 13 anos, a verem televisão, terminando a sua marcha nos móveis e parede.
Uma das 22 munições que ficaram marcadas atingiu ligeiramente um pé da filha do casal que, felizmente, não necessitou receber tratamento hospitalar, muito embora os familiares insistissem que o deveria fazer por precaução.
Ninguém viu nada, mas rapidamente os vizinhos apareceram no local a manifestar a sua solidariedade. Houve mesmo quem desse uma volta pelas redondezas a ver se descobria alguém, o mesmo fazendo a GNR do Posto de Maiorca quando chegou ao local para tomar conta da ocorrência. Já de madrugada, especialistas em balística estiveram no local para investigar as marcas e os invólucros.  

 

 

José Santos

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