Diário de Coimbra
Segunda-feira, 14 de Maio 2001

Naval “incendiou” Penafiel
Penafiel - 0
Tó Ferreira, Celso, Bruno Ferraz, Edu, Nelson, Paulo Sousa, Loukima, Pedrinha, Zacarias, Rui Gomes e Mauro.
Substituições: Nelson por Orlando (42 m.) e Pedrinha por Fábio (64 m.).
Suplentes não utilizados: Artur, Madureira, Zé Aníbal, Cerqueira e Bruno Duarte.
Treinador: Ricardo Formosinho

NAVAL - 1
Yannick, Hugo, Marco Brás, Tixier, José Carlos, Binho, Valery, Rui Mendes, Paulo Raquete, Sérgio Lavos e Wender.
Substituições: Paulo Raquete por Marinho (45 m.), Sérgio Lavos por Rui Carlos (70 m.) e Binho por Ramia (81 m.),
Suplentes não utilizados: Mingote, Oliveira, Salviat e Carlos Gomes.
Treinador: José Dinis.

Estádio 25 de Abril, Penafiel.
Assistência: Cerca de 4000 espectadores.
Árbitro: Olegário Benquerença (Leiria).
Assistentes: J. Chilrito e Sérgio Lacroix,
4.º árbitro: José Mesquita.
Ao intervalo: 0-0.
Marcador: Wender (89 m.).
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Binho (27 m.), Loukima (35 m.), Rui Mendes (58 m.), Hugo (63 m.), Paulo Sousa (66 m.) e Bruno Ferraz (78 m.).

O QUE se passou em Penafiel foi uma autêntica vergonha, mais uma machadada no já tão maltratado futebol nacional. A Naval cometeu o “crime” de ganhar um jogo em que teve uma postura inteligente, mas sobretudo digna, e de certo modo pagou por isso, já que uma boa fatia do público teve um comportamento hostil, incluindo a danificação parcial do autocarro com ferimentos ligeiros em jogadores, e tentativas de agressão a adeptos que se manifestaram quando do golo que ditou a sorte do desafio.
O minuto 89 foi fatídico para o jogo. O Penafiel precisava de ganhar para garantir a subida de divisão, mas os navalistas, num contragolpe, e através dum passe espectacular de Marinho para Wender que em posição perfeitamente legal, recebeu e ludibriou um defesa, para completar o lance com um chapéu monumental a Tó Ferreira, deitaram por terra, pelo menos temporariamente, as aspirações dos nortenhos.
Então foram mosquitos por cordas. Um sector do público da bancada descoberta agrediu com diversos objectos o árbitro assistente Sérgio Lacroix, que caiu no relvado, sendo necessária assistência médica.
Olegário Benquerença, como solução de recurso, trocou os “bandeirinhas” e quando o delegado da Liga entrava no campo para apaziguar os ânimos, foi também atingido com uma garrafa.

Naval marca

A Naval entrou bem, caiu no meio-campo do Penafiel mas não criava situações de perigo ao invés dos locais que aos 11 minutos desperdiçaram um excelente ensejo, com Mauro a cruzar para Zacarias e este, à boca das redes, a rematar ao lado.
Era notória a maior produção ofensiva dos penafidelenses, mas o espírito de equipa dos navalistas veio ao de cima, com uma interligação entre sectores, sentido de entreajuda e, sobretudo, a zona defensiva bem povoada e tacticamente bem escalonada.
O Penafiel, no segundo tempo, entrou a todo o “gás”. Aos 50 minutos Yannick foi chamadouma grande defesa a remate de Rui Gomes.
Os figueirenses seguravam o jogo com uma super-defesa, contra-atacando sempre que possível, e com algum sentido de perigosidade. O jogo ganhou enorme emoção à medida que se aproximava do seu final, com o Penafiel a procurar a todo o custo chegar à vitória.
O último reduto dos navalistas ia aguentando, com alguma dificuldade, o arreganho dos locais e os derradeiros minutos foram dramáticos.
A Naval, contra todas as expectativas, chegaria ao triunfo através duma contra-ofensiva, em que Marinho assistiu Wender e este, com habilidade, levou a bola para o fundos das balizas confiadas a Tó Ferreira.
Depois de larga interrupção, o jogo recomeçou com os visitados a tentarem o tudo por tudo, mas Yannick, no último momento, negou-lhes o empate, efectuando uma defesa que parecia impossível a remate de Mauro, à boca das redes.

Equipa regressou de táxi

O autocarro da comitiva navalista, com os vidros partidos, ficou retido em Águas Santas, e os jogadores, alguns com ligeiros ferimentos, foram obrigados a regressar de táxi até à Figueira da Foz.  

 

 

Aníbal José de Matos

 

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