Diário de Coimbra
Sabado, 5 de Maio 2001

Espanhóis interessados na zona industrial
A Figueira da Foz e o seu Parque Industrial foram ontem apresentados a um grupo de investidores espanhóis, em Vigo. A Paraindústria e o Instituto do Comércio Externo (ICEP) consideraram a experiência «muito positiva», e projectam nova apresentação em Salamanca

O potencial turístico do concelho, em geral, e do Parque Industrial, em particular, foram apresentados a cerca de 20 empresários e vários orgãos de comunicação social de Vigo, através de diverso material promocional e por “data show” (via computador). Tratou--se de uma acção conjunta do ICEP e Paraindústria, visando atrair «potenciais investidores».
José Cardoso, técnico da autarquia, focou as belezas naturais da Figueira da Foz, os pólos de animação, as estruturas hoteleiras, o património e os projectos, os que já estão em andamento, como o Centro de Artes e Espectáculos, e os que irão existir no futuro, como o campo de golfe. Os espanhóis presentes gostaram, mas o seu interesse estava mais virado para a zona industrial, motivo que os levou ao Hotel Palácio de Vigo.
A localização, o porto, as ligações rodo e ferroviárias (as actuais e as que estão em projecto), as infra-estruturas, a área disponível e o preço, foram alguns dos muitos aspectos focados e que motivaram o forte interesse de todos os presentes, a quem foi igualmente explicado que a Figueira da Foz pretende «um desenvolvimento económico sustentado», com projectos compatíveis com o meio ambiente, com diversidade de áreas de negócios, com captação de jovens e mão de obra qualificada e que se insiram no âmbito das novas tecnologias.
Javier Santos, do ICEP de Madrid, e João Pedro Alves, da Direcção de Investimento Internacional do mesmo organismo, explicaram, por seu lado, os incentivos do Estado português a investidores estrangeiros. No final do encontro, disseram ao nosso Jornal que, apesar da zona industrial figueirense ainda não possuir gás natural, tem outras infra-estruturas «que muitas zonas do país não podem oferecer».
Considerando a localização como «óptima», uma vez que fica no litoral, «muito próximo do porto, da auto--estrada, e das ligações ao IP-3 e IP-5», promoveram esta apresentação, até porque, existem «muitos projectos que se estão a localizar em Portugal, para posteriormente virem a fornecer empresas que estão sediadas em Vigo». A proximidade daquela cidade espanhola e os «bons acessos» levou aqueles responsáveis a concluir que, no futuro, «Portugal poderá ser um pólo para potenciais fornecedores de empresas sediadas na região de Vigo».

Maria do Rosário
garante que “valeu a pena”

A administradora-delegada da Paraindústria (empresa que gere a zona industrial, com capital maioritariamente da autarquia), estava, no final da jornada, visivelmente satisfeita, apesar de admitir que gostaria de ter mais presenças naquela apresentação. Todavia, a adesão dos empresários espanhóis resultou num «número significativo e importante», e acrescentou, «valeu a pena».
Maria do Rosário Águas, além da sessão, falou com pessoas no seu entender «francamente interessadas», alguns interlocutores de investidores, que pediram a documentação do regulamento e da candidatura. Inclusivamente, referiu, «um dos investidores quis saber como se processava em termos de licenciamento industrial», uma vez que, no que respeita ao aspecto urbanístico, «está profundamente ultrapassado», pois é a Paraindústria que trata de todo o processo, ajudando também na sua elaboração.
Quanto ao licenciamento industrial, a empresa, que «privilegia o diálogo com a Direcção Regional da Indústria», quase que «substitui o empresário estrangeiro», para evitar «as maçadas do vaivém», pois «existe exactamente para simplificar todo o processo».
A presença do ICEP no encontro foi, para aquela responsável, «um bom exemplo da cooperação entre uma autarquia e uma instituição do Estado», uma vez que o ICEP existe para fazer a promoção do país e atrair para Portugal o investimento estrangeiro. Daí que, Rosário Águas considere aquele organismo «extraordinário», uma vez que patrocinou a apresentação e fez os contactos, dando «consistência» ao “produto” apresentado.  

 

 

Bela Coutinho

 

voltar atrás