Diário de Coimbra
Quarta-feira, 13 de Junho 2001

 

Bons resultados desportivos mas gestão financeira negativa
«Fizemos mais do que estava ao nosso alcance nas várias modalidades», disse Aprígio Santos, presidente da Naval, na Assembleia Geral de apresentação das contas do exercício de 2000, em que os resultados financeiros não correspondem aos êxitos desportivos

Dentro de 15 dias, a nova equipa de futebol sénior da Naval deverá estar formada, anunciou o presidente do clube, Aprígio Santos, durante a apresentação das contas de 2000, que juntou cerca de duas dezenas de associados. Desta forma, acrescentou, o clube figueirense poderá encarar o futuro «com optimismo e muita realidade».
A actividade da Naval no decurso deste ano continuou a ser no sentido da continuidade da promoção e dinamização da prática desportiva, na dignificação do clube e da cidade. Segundo Aprígio Santos, nas modalidades amadoras «houve um acréscimo de praticantes», o que originou um reforço de equipamentos e de técnicos no que se refere ao futebol amador. Nesta área realce para a continuidade da equipa de iniciados no nacional, enquanto que a equipa de juvenis subiu ao nacional, tendo os restantes conjuntos mantido um nível de rendimento acima da média.
No tiro, João Carlos continua em evidência, enquanto que, no remo, os jovens praticantes estão a somar títulos nacionais e a dar alguns atletas para provas internacionais em representação de Portugal.
No basquetebol, a equipa principal manteve-se na 1.ª Divisão Nacional e as camadas jovens cumpriram com as linhas estabelecidas pelos seus directores.

Resultados
financeiros
com 128 mil contos
negativos

No prosseguimento da reunião, presidida por Aguiar de Carvalho, embora os resultados financeiros apresentados não sejam os melhores, a Assembleia Geral aprovou por unanimidade o balanço e contas do exercício de 2000, cujos resultados são negativos.
Ao nível da actividade desenvolvida, os proveitos operacionais mantiveram o nível registado no ano de 1999, apresentando mesmo um ligeiro acréscimo para os 103,8 mil contos. Registou-se uma melhoria nas receitas de publicidade, que rondou em 26 mil contos e um decréscimo nas receitas de “quotas suplementar”” e de “quotização” em 8 mil contos.
Ainda a destacar, pela negativa, a diminuição dos subsídios à exploração, em face do decréscimo sentido no apoio proveniente da autarquia, pese embora o acréscimo verificado no apoio de outras entidades, das quais se destaca a Sociedade Figueira Praia.
Segundo explicações aos associados, os custos operacionais elevaram-se a 211,5 mil contos em face dos 185,5 mil contos em 1999, registando um acréscimo de 14%. Para tal contribuiu o acréscimo nas rubricas de fornecimentos e serviços externos, mais 27%, em parte justificado por um aumento nos custos com “deslocações” em mais 5,5%, com relevo para as deslocações às regiões autónomas, com “rendas e alugueres” em mais 29%, e com “inscrições” de atletas em mais 84%, fruto dos custos de inscrição inicial de atletas estrangeiros, e, não menos importante, nos “custos com o pessoal” em mais 9%, facto justificado no reforço da equipa profissional de futebol e na forte pressão salarial sentida ao nível do futebol profissional.
Desta forma, assistiu-se a uma deterioração dos resultados operacionais negativos em 107,6 mil contos, menos 23,3 mil contos face aos apurados em 1999. Os resultados financeiros cresceram cerca de 13,1 mil contos, para 19,5 mil contos, face ao acréscimo do endividamento bancário líquido. Assim, em conformidade, registou-se resultados correntes negativos em 127, 1 mil contos, menos 38,4 mil contos aos registados em 1999. Após resultados extraordinários o resultado líquido do exercício de 2000 fixou-se em 128,8 mil contos, negativos.  

 

 

José Santos

 

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