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Não
mexam nas Falésias
Galopim de Carvalho
esteve ontem na Figueira da Foz para efectuar uma visita ao Cabo
Mondego, em conjunto com um grupo de cientistas, membros da Associação
de Geólogos do Sudeste da França, e participar no debate promovido
pela autarquia sobre “a importância do Jurássico das Falésias do
Cabo Mondego”
O professor catedrático, que deu a sua última aula na passada
quinta-feira, prometeu continuar «nestas batalhas de salvaguarda do
património», aproveitando para enaltecer, em declarações ao nosso
Jornal, a «nova atitude» que se nota actualmente em Portugal, na
defesa do património geológico.
Galopim de Carvalho considera que as autarquias «têm dado grandes
exemplos ao poder central», e cita diversas câmaras que estão a
musealizar sítios. No entanto, em relação ao Ministério do Ambiente
e ICN (Instituto da Conservação da Natureza), manifesta-se crítico
pela «ausência de respostas», garantindo que «parece uma entidade
muda». Por isso, não tem dúvidas em considerar que existem duas
marchas em Portugal no que diz respeito à preservação do património
geológico, «a marcha relativamente rápida e promissora por parte do
poder local e a marcha relativamente lenta, aparentemente
desinteressada, por parte dos serviços que dependem do Governo
Central».
Quanto à questão da classificação do Jurássico das Falésias do
Cabo Mondego como “património da humanidade”, diz-se «consciente»
dos interesses em jogo, mas alerta para a sua importância, quer do
ponto de vista monumental, quer patrimonial, apesar de ter a noção de
que uma classificação como património nacional «nos inibe de
qualquer intervenção».
Daí o apelo a «uma solução de compromisso e de bom senso», que
satisfaça os interesses dos que ali estão instituídos e da defesa do
património.
Há meio século a defender o Cabo Mondego
Por seu lado, Helena Henriques defendeu que em relação ao passado do
Cabo Mondego «há muita coisa mal feita e que é irreversível».
Todavia, a professora da Universidade de Coimbra sublinha ser
necessário «preocuparmo-nos com o que é que os proprietários do
terreno e autoridades desejam em termos de urbanismo», apelando a que,
«na melhor das hipóteses, não mexam em nada».
René Mouterde, um padre da Universidade de Lyon, anda há mais de 50
anos a “pregar” o Cabo Mondego. Admirador e estudioso incondicional
daquele espaço, recorda que ali estão espelhados mais de 25 milhões
de anos de vida na terra, com fosseis «que permitem reconstituir a
história da vida».
Por isso, dada a localização «excepcional» e porque o turismo «tem
cada vez mais peso na economia de um país», sublinha que aquele local
pode ajudar a projectar Portugal.
Bela
Coutinho
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