|
“Algas
azuis” andam a matar a Lagoa da Vela
Um «gravíssimo
acidente ecológico», foi como ontem a vereadora Maria do Rosário
classificou o que se passou na Lagoa da Vela. Os resultados da DRABL
indicam que morreram cerca de 8 toneladas de peixes, numa lagoa que está
praticamente moribunda
A alteração na água que levou a esta verdadeira mortandade ficou a
dever-se a uma forte subida de clorofila A, de 35 miligramas por metro cúbico
para 255, a um abaixamento dramático no oxigénio para níveis «de
quase inexistência» e ao aumento de microrganismos produtores de
toxinas muito nefastas.
Estas “algas azuis” ou “cianobactérias” que atrofiam as guelras
dos peixes, entram em explosão populacional em face de determinados fenómenos
poluidores, como o caso dos nutrientes (adubos) utilizados pelos
agricultores para fertilizarem os seus terrenos e apesar do seu tempo de
vida ser curto, quando morre entra em decomposição e serve para
aumentar o número existente.
Mas os efeitos nefastos não se ficam pelos danos causados na actividade
piscícola, que neste caso resultou na morte da «quase» totalidade de
espécies existente na Lagoa da Vela. Também no ser humano pode causar
lesões hepáticas, dermatites e diarreias, não estando colocada de
parte a possibilidade de ser um agente promotor do cancro.
Aliás, a vereadora Maria do Rosário Águas, diz-se «espantada» por
tantas entidades ligadas ao ambiente se terem colocado contra a instalação
do golfe naquele local e ninguém ter tomado medidas em relação a esta
cianobactéria, quando, sustentou, já em 1991, um artigo, baseado num
estudo efectuado no local pelos professores Vítor Vasconcelos e Amadeu
Soares, alertava para a proliferação deste microrganismo, que colocava
em causa a saúde pública.
Dizendo-se «desiludida e preocupada» e considerando que a população
da Lagoa da Vela «foi ultrajada», Rosário Águas garante «não
compreender» como é que ninguém se concentrou nesta espécie,
sustentando que o Governo tem agora a oportunidade de provar que, quando
integraram a área na Rede Natura, «não foi apenas uma demarcação em
mapa, antes uma séria preocupação com o ambiente», disse.
Aquela responsável que solicitou uma reunião com o Ministério do
Ambiente e Instituto de Conservação da Natureza, questionou-se também
sobre a ausência de (re)acção da presidente da Liga da Protecção da
Natureza a esta «catástrofe», quando foi das primeiras a «levantar a
voz», contra o campo de golfe, perguntando-se se «estará de facto
preocupada com o ambiente».
A culpa não morre solteira
Pretendendo que se conheçam as causas que levaram a esta proliferação
repentina da “alga azul”, a vereadora considera que, para se tomarem
medidas é necessário saber o que originou a situação, até porque,
referiu, se se vier a provar que foram os nutrientes utilizados na
agricultura, «há formas de minimizar e controlar minimamente os adubos».
Entretanto o vereador Miguel Almeida, defendeu esperar «que alguém
assuma responsabilidades», não estando a colocar em causa,
salvaguardou, «este ICN», mas sim «a instituição que há muitos
anos descura esta matéria».
Questionado pelo nosso Jornal sobre algum eventual perigo de contaminação
da água no concelho, uma vez que actualmente o abastecimento se faz
através da Lagoa das Braças onde alegadamente poderá existir a mesma
cianobactéria, Miguel Almeida informou que a Empresa “Águas da
Figueira” está a efectuar análises à água diariamente, que a estação
de tratamento salvaguarda esta situação e que dia 8 de Junho a captação
de água vai voltar a ser feita através do Rio Mondego, uma vez que os
trabalhos de reparação da estação de tratamento de Vila Verde, cuja
canalização foi danificada nas últimas cheias, estão concluídos.
Bela
Coutinho
|