Diário de Coimbra
Domingo, 15 de Julho 2001

Naval venceu o Salgueiros em Quiaios
O PRESIDENTE Aprígio Santos e o técnico José Dinis terão, certamente, razões de sobejo para se sentirem tranquilos e confiantes face à postura da equipa navalista na sua apresentação em público, depois de apenas seis dias de trabalho e onde pululam jogadores que pela primeira vez integram o plantel, os quais, na sua maioria, deixaram excelentes impressões.
Os navalistas entraram a ganhar nesta nova época, a quarta consecutiva em que participam na II Liga, e venceram com todo o merecimento a formação de Vítor Manuel, uma equipa primodivisionária e portadora dum conjunto mais rotinado, mais homogéneo, pese embora o facto de também só há dias ter recomeçado a actividade.
Diga-se de passagem que se assistiu a um jogo bastante interessante, com ambos os conjuntos a procurarem mostrar quanto valem e com os olhos virados para as balizas, o que, naturalmente, sempre contribui para espectáculos mais agradáveis.
Foi notório, como não podia deixar de ser, alguma falta de entrosamento na turma de José Dinis, mas os indicadores apontam no sentido duma época tão boa ou mesmo melhor que a da época transacta.
Isto porque, tendo restado alguns dos elementos base da turma da temporada anterior, os reforços parecem ter vindo oferecer uma maior consistência em todos os sectores.
No início, o treinador figueirense dispôs a equipa num 4X1X4X1, com o francês Baha isolado na ofensiva e Sufrim (uma revelação) na posição de “trinco”, demonstrando possuir uma excelente visão de jogo e características de lutador nato. Na baliza, o guarda-redes Vincent, que terá vindo para substituir Yannick, mostrou-se exemplarmente seguro e inspirando confiança aos colegas.

Três golos “verde-e-brancos”

O equilíbrio foi a nota dominante no primeiro tempo num jogo que fugiu às características de treino, já que dirigido por uma equipa oficial de árbitros oriundos da AF de Lisboa, o que impediu que os treinadores ensaiassem, normalmente em repetição, lances de bola parada.
Assim, o que perdeu em termos de ensaio, ganhou no capítulo da competitividade e ninguém saíu a perder.
Os homens de Paranhos encontraram pela frente uma equipa difícil, matreira, e raramente se desenvencilharam da teia urdida por José Dinis.
Normalmente, os figueirenses fechavam-se no seu meio-campo, bem organizado, oferecendo a iniciativa atacante ao adversário, mas em rápidos contra-ataques a Naval punha os defesas contrários em polvorosa. O intervalo chegou com o nulo no marcador, mas os navalistas podiam ter inaugurado o marcador quando Baha, aos oito minutos, fintou Nunes, isolou-se e rematou ligeiramente ao lado.
No primeiro tempo apenas se registou uma substituição (Coste rendeu Carlitos), tendo em vista reforçar a linha ofensiva em que Baha se situava um tanto desamparado.
No período complementar “todo o mundo” jogou, mas o desafio nem por isso perdeu qualidade em termos competitivos, antes pelo contrário.
A Naval chegou aos 2-0 num ápice, em lances quase tirados a papel químico, ambos por iniciativa de Sérgio Lavos que esteve em grande plano. No primeiro, Benoit aproveitou da melhor maneira e cabeceou para o golo e no segundo seria David a dar o melhor seguimento à jogada.
Carlos Ferreira, pouco depois, aproveitar-se-ia dum lance infeliz de Benoit que, desviando a trajectória, traiu Mingote.
Mesmo em cima do final, China assinou um forte remate que obrigou Tó Ferreira a uma defesa de recurso para canto.
Arbitragem em bom plano.  

 

 

Aníbal José de Matos

 

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