Diário de Coimbra
Sexta-feira, 13 de Abril 2001

Autarquia preocupada quer mais e melhor vigilância
A Câmara Municipal vai escrever aos ministérios da Administração Interna e da Justiça, apelando ao reforço dos efectivos da GNR e das penas a aplicar aos “assaltantes”. Em causa a profanação dos cemitérios e a onda de assaltos que tem “varrido” algumas freguesias

O presidente em exercício e o vereador das colectividades acompanhados do comandante da GNR Vendas Alves, efectuaram ontem uma visita às freguesias das Alhadas, Moinhos da Gândara e Santana, alvos recentes das investidas de “larápios” e cujos cemitérios foram vandalizados.
Uma visita em que Daniel Santos pretendia saber o estado das investigações, e as acções de prevenção que a GNR tem em mente, para evitar que os actos de vandalismo continuem neste concelho. O facto das investigações estarem em segredo de justiça, não permitiu que fossem dados muitos pormenores, mas segundo aquele responsável foi «dada a esperança» de que algumas identificações possam ser feitas e foi referido que provavelmente os actos nos cemitérios e os outros assaltos «não estão ligados entre si», uma vez que se trata de «tipologia de actividades diferentes e como tal está a ser tratado».
No entanto, ainda segundo o presidente em exercício, foi perceptível a problemática «da falta de meios» da GNR para este tipo de problemas, uma vez que está dimensionada para «um trabalho de rotina», e que, quando ocorrem tipos de acções de criminalidade, «não dispõe de meios para resolver esse problema».
Face a essa situação e à manifesta «preocupação» da autarquia, Daniel Santos garante que vai «sensibilizar o Ministério da Administração Interna e da Justiça», para esta onda de vandalismo que ocorreu na zona norte da Figueira da Foz, solicitando «que se criem condições para o redimensionamento dos meios e para um repensar da intervenção da GNR em termos geográficos», uma vez que existem «problemas de organização», daquelas forças de segurança.
Daniel Santos considera que «qualquer instituição que preste serviço na Figueira da Foz tem que se adaptar à hierarquia urbana», e apesar de admitir que nunca foi feito um levantamento sobre a matéria, acredita que se justificava um posto de GNR nas Alhadas. Quanto ao sul do concelho será necessário «verificar» se deve ou não criar-se um outro, apesar de defender a vinda de «mais agentes e mais meios materiais».

Cemitérios iluminados através de células foto-eléctricas

Nesta reunião estiveram presentes os autarcas de Santana, José Saraiva, de Moinhos da Gândara, Albano Lé e das Alhadas, Carlos Cação, que manifestaram preocupações com o sistema de prevenção, apontando como eventual solução, a instalação de alarmes. Daniel Santos garante que nesta matéria, a autarquia «fará o que lhe compete, dentro das suas possibilidades», apesar de admitir que «as coisas não podem acontecer de repente».
Quanto aos cemitérios, frisando a «época estranha» em que vivemos, pois seria «impensável» há uns anos atrás, imaginar cemitérios iluminados, aquele responsável considera que, a colocação de postos de iluminação com células foto- eléctricas, poderá ser «uma das formas de resolver o problema e vamos encará-la», disse, uma vez que «é necessário preservar o que é muito caro aos cidadãos», ou seja, o culto dos seus mortos.  

 

 

Bela Coutinho

 

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