Diário de Coimbra
Quinta-feira, 5 de Abril 2001

 

Processo “mal arquivado”
A maioria social-democrata e o PS “engalfinharam-se” na reunião do executivo. O que parecia ser um simples processo de libertação de garantia bancária, acabou numa acesa discussão entre os vereadores Miguel Almeida e Aida Cardoso. Tudo por causa da Lagoa da Vela e de «erros na arrumação das folhas».

A libertação de garantia bancária das obras de aproveitamento turístico e dragagem da Lagoa da Vela, na freguesia do Bom Sucesso gerou forte discussão entre o PSD e o PS. A vereadora socialista disse estar «circunspecta» em relação ao processo, uma vez que, recordou, os trabalhos iniciados em 1999 haviam sido «embargados» pelo Ministério do Ambiente e ICN, não sendo por isso «concluídos», sustentando que a autarquia estaria assim a pagar «uma dragagem que não foi feita».
Mas as críticas de Aida Cardoso não se ficaram por aqui, chamando à atenção para o valor da obra, mais 10 mil contos do que o previsto, o que no seu entender «é muito». Aida Cardoso “queixou-se” ainda dos «erros na arrumação das folhas» dos dossiers, focando que os vereadores da maioria têm acesso aos processos completos, o que não acontece com o PS, além de uma má previsão em relação aos custos da obra, orçada em cerca de 20 mil contos.
O vereador responsável pelas obras municipais explicou que em causa estavam «duas empreitadas distintas», uma efectuada em 1999, que previa a remoção de infestantes e de material lodoso no interior da lagoa. Só que Miguel Almeida afirmou que «não nos deixaram fazer a remoção do material lodoso», mas garantiu que «no que foi feito, foi facturado e a obra fechou», sendo essa a matéria que estava em causa.
Indo mais longe, acabou por desabafar que «a dragagem não foi feita porque a senhora não deixou», referindo-se a Aida Cardoso, que desempenha funções na Direcção Regional da Agricultura.
Os outros trabalhos que estariam a gerar “confusão”, pela instrução do processo, uma vez que o próprio director de Departamento admitiu que «estava mal arquivado», iniciaram-se na passada semana, são da responsabilidade da Junta de Freguesia através da transferência de verbas da autarquia e visam a dragagem da lagoa, agora já com pareceres positivos e a abertura de uma vala para receber as águas provenientes dos campos agrícolas.
Face a todas as dúvidas levantadas, Maria do Rosário Águas, do PSD, propôs que a libertação da garantia bancária fosse adiada, juntando-se ao processo os dados que esclarecem que «foram entidades estranhas à Câmara que impediram a realização total da obra», e que a esse documento fosse adicionado o relatório do Departamento de Obras, do acompanhamento dos trabalhos.  

 

 

Bela Coutinho

 

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