Diário de Coimbra
27 de Setembro de 2000

Estaleiros da Figueira da Foz

Os estaleiros navais da Figueira da Foz lançaram ontem à água os barcos da transição de Quadros Comunitários de Apoios (QCA). Trata-se da «última» embarcação apoiada pelo II QCA e da «primeira» que irá receber apoios já do III. O ministro da Agricultura prometeu aumentos nos apoios ao sector das pescas

Duas novas embarcações de pesca artesanal foram ontem lançadas à água nos estaleiros navais da Figueira da Foz (FOZNAVE), numa cerimónia presidida pelo ministro da Agricultura e Pescas Capoulas Santos. Um dos barcos, o “Porto Dinheiro” «é o milionésimo aprovado por um governo do PS desde 95» salientou o ministro. A construção da embarcação foi a última a contar com verbas do II Quadro Comunitário de Apoio (QCA). Além da construção de mil novos barcos, mais 1.300 embarcações receberam apoios no âmbito do II QCA. O “Virgem das Graças”, também lançado ontem à água, será o primeiro barco construído no âmbito do Maris, programa de apoio às Pescas inserido no QCA III que Capoulas Santos apresenta hoje em Matosinhos. Até 2006, período de vigência do III QCA, serão construídas 780 novas embarcações. As verbas do novo programa para o desenvolvimento sustentável das pescas representam um acréscimo de 5 por cento ao ano em relação ao seu homólogo do QCA II, sublinhou Capoulas Santos. Além da construção de embarcações, o ministro destacou como prioritários «os investimentos na condições de higiene e salubridade do pescado». Frotas mais modernas, com melhores condições de segurança, formação e gestão dos recursos são outros pontos considerados fundamentais pelo governo. Em relação à gestão dos recursos, Capoulas Santos afirmou que é possível um aumento da produção «se investirmos na aquacultura». O governante sublinhou o papel da investigação na gestão de recursos, pois fornece dados científicos que permitem estudar e prevenir situações como as verificadas na escassez de sardinha. Entre 1984 e 1995 «foi feito apenas um cruzeiro científico» frisou Capoulas Santos, acrescentando que desde 97 passaram a realizar-se dois por ano. As duas embarcações lançadas à água destinam-se à pesca artesanal, propriedade de dois armadores de Peniche, têm cerca de 20 metros de comprimento para uma tripulação de 10 homens e custaram cerca de 120 mil contos cada uma. No caso do “Porto Dinheiro”, o armador contribuiu com 47 mil contos e o restante foi financiado por subsídios nacionais (12 mil contos) e da União Europeia (58 mil contos). Já no “Virgem das Graças”, o armador espera ainda que a candidatura venha a ser aprovada, já que, até agora, suportou sozinho o investimento de 120 mil contos. Ambas as embarcações vão operar ao largo da costa portuguesa, embora possam permanecer «até quinze dias no mar». Por estarem equipadas de forma polivalente, poderão pescar diferentes espécies.


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