Diário de Coimbra
14 de Setembro de 2000

Nas praias da Figueira da Foz

Correu bem o mês de Agosto na área da Capitania do Porto da Figueira da Foz. Não se registou nenhum acidente mortal e as operações de salvamento foram bem sucedidas. Mas os “louros” não ficam apenas para os salva-vidas; são também atribuídos a uma nova postura dos banhistas perante o mar

Frequentadas por milhares de pessoas em plena época alta, as praias da região figueirense tiveram este ano um mês de Agosto quase pacífico. De acordo com os dados já apurados pela Capitania do Porto da Figueira da Foz, que tem sob sua jurisdição uma faixa de 70 quilómetros de costa (entre o sul da barrinha de Mira e a zona Norte da praia do Pedrógão), não se registaram acidentes mortais no mar. Fonseca Garcia, comandante da Capitania do Porto, referiu ao nosso Jornal que foram efectuadas cerca de «45 acções de salvamento» nas zonas concessionadas (dotadas de vigilância), todas elas bem sucedidas. De acordo com este responsável, alguns dos banhistas resgatados às ondas foram depois assistidos no hospital, mas todos sobreviveram ao “susto”. «Dentro do esquema que montámos, juntamente com os concessionários de praia e com as autarquias, o mês de Agosto pode ser considerado um êxito, dado que não se registou nenhum tipo de acidente mortal nem em áreas vigiadas nem em áreas não vigiadas», frisou Fonseca Garcia. Banhistas cuidadosos Não escondendo alguma satisfação pelo facto do mês de maior afluência de banhistas não se traduzir na época de maior número de vítimas (recorde-se em que Julho ocorreu pelo menos um afogamento, numa área não vigiada), o comandante da Capitania assinalou o facto de se tratar de uma área de jurisdição «bastante extensa». Nesta faixa costeira, que abrange os concelhos de Cantanhede, Figueira da Foz, Pombal e um pouco de Leiria, pontuam praias “escondidas”, por vezes de difícil acesso, procuradas por pessoas que preferem áreas balneares mais recatadas. É nestes casos, e em áreas não vigiadas, que actuam preferencialmente as viaturas “SeaMaster” (tipo “Marés Vivas”) do Instituto de Socorros a Náufragos. Este ano, duas delas estiveram sob orientação da Capitania da Figueira, actuando uma na zona da Tocha e outra na área da Figueira da Foz. De acordo com Fonseca Garcia, as duas viaturas intervieram em seis operações de salvamento em áreas não vigiadas. O salva-vidas “Patrão-Macatrão”, utilizado preferencialmente para situações em que a distância entre a situação de acidente e a costa pode colocar em risco a integridade física do nadador-salvador, socorreu quatro banhistas. Sem esquecer que o «factor sorte» é determinante nestas questões de banhos de mar, Fonseca Garcia considera no entanto que os bons resultados se devem não só «à boa formação dos nadadores-salvadores» mas também a «uma consciencialização de grande parte dos banhistas de que é necessário cumprir as regras básicas de segurança». O comandante da Capitania salientou que a este quadro positivo não foi alheia «uma diminuição dos comportamentos de risco» dos banhistas, como a escolha de áreas não vigiadas, o desrespeito das bandeiras ou das horas de digestão. Serviços mínimos até ao fim da época Neste momento, o esquema de vigilância de praias está já aligeirado, face a uma grande quebra do número de banhistas. No entanto, e como a época balnear termina apenas a 30 de Setembro, Fonseca Garcia garante que estão assegurados os serviços mínimos de prevenção. «As zonas que não têm vigilância estão devidamente assinaladas e é recomendado ao banhista uma outra área vigiada que existe sempre nas imediações», afirmou o comandante. Este quadro deverá ser alterado já na próxima época balnear. É que, com a entrada em vigor dos Planos de Ordenamento da Orla Costeira (no caso o plano Ovar-Marinha Grande), os concessionários de praia passam a estar obrigados por Lei a manter a mesma vigilância de 1 de Julho a 30 de Setembro, sem qualquer diminuição.

Paulo Gonçalves
 

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