Diário de Coimbra
07 de Setembro de 2000

Onda" de pulgas atacou polícias e bombeiros

Iam sendo comidos. Agentes da PSP e elementos dos bombeiros e da Protecção Civil passaram ontem um mau bocado quando entraram numa casa da Rua 9 de Julho, no centro da Figueira da Foz, e foram atacados por uma imensidão de pulgas.
A “coisa” foi de tal maneira que dois elementos dos Bombeiros e um da Protecção Civil tiveram de receber assistência hospitalar. Uma pomada para as picadas e, no caso mais grave, uma injecção, foi a medicação dada, depois de um bom banho. Fonte hospitalar confirmou que os três feridos receberam alta pouco depois.
Um agente da PSP, o primeiro a entrar na casa, foi igualmente atacado, tendo recebido tratamento na esquadra.
Mas o assunto, infelizmente, é sério. Bombeiros e PSP deslocaram-se à degradada habitação na sequência de um alerta dado por vizinhos, segundo o qual o único habitante estaria desaparecido. «Há quatro dias que não o vemos», afirmou um morador do local.
O homem, de apelido Pardal e com cerca de 85 anos, residia sozinho na habitação e os vizinhos temem que algo grave possa ter acontecido. Quando entraram na casa, as autoridades encontraram a bengala, sem a qual não andava, um boné e umas calças, o que levanta a hipótese de o homem ali se encontrar. Os bombeiros percorreram «a casa toda» sem nada encontrar, e admitem agora a hipótese do idoso ter sido levado de casa por algum familiar.
No entanto, as buscas, iniciadas cerca das 16h00, foram suspensas pouco tempo depois, uma vez que nem bombeiros nem polícia conseguiam permanecer dentro da casa, devido à praga de pulgas.
Entretanto, as pulgas espalharam-se pela rua, e ao final da tarde não faltavam relatos de moradores que levaram «pulgas para casa» depois de ali terem passado. Alguns moradores contestaram a actuação dos bombeiros e PSP, «por terem abandonado as buscas sem voltar a tentar encontrar o homem».
«Estiveram cá, foram-se embora por causa das pulgas e não quiseram saber mais disto», acusaram, criticando o facto de «nem sequer terem vindo lavar a estrada». Mas os bombeiros explicam que «lavar a estrada não adianta nada, porque a água não mata as pulgas», frisando que a zona «terá de ser desinfectada pelos serviços da Câmara». Ao que conseguimos apurar, uma brigada de desinfecção dos serviços da autarquia deverá deslocar-se hoje ao local.

Paulo Gonçalves

 

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