Diário de Coimbra
09 de Novembro de 2000

Estudantes ameaçam encerrar Universidade 

Os alunos da Universidade Internacional da Figueira da Foz admitem vir a fechar os portões da instituição, caso a administração não responda às questões relacionadas com o corpo docente e o futuro da própria universidade. Os estudantes querem saber se poderão concluir os seus cursos na Figueira da Foz e questionam a “fuga” de docentes para Coimbra

Numa das mais concorridas RGA de sempre, os alunos da Universidade Internacional da Figueira da Foz, especialmente do curso de Direito, manifestaram «muitas preocupações» em relação ao futuro da instituição e exigiram a presença dos elementos da administração numa reunião a realizar na próxima semana. João Gabriel Ribeiro, presidente da Associação Académica da Internacional, adiantou já que, se a administração não comparecer na reunião ou não apresentar respostas satisfatórias, «iremos marcar uma nova reunião geral de alunos onde poderá ser decidido o fecho dos portões da Universidade». O dirigente associativo concordava assim com as propostas lançadas pelos estudantes durante a reunião geral. Uma das preocupações manifestada pelos alunos liga-se, ainda que indirectamente, à abertura do curso de Direito no Instituto Superior Bissaya Barreto, em Coimbra. De acordo com os estudantes, «alguns professores começaram já a deixar de dar aulas na Figueira da Foz, optando por Coimbra». Preocupados «com o nome e a reputação do corpo docente», os alunos querem saber «se há de facto salários em atraso» ou se «estão a ser criadas condições para segurar na Figueira da Foz os professores». Questionaram ainda «qual o motivo da vinda de tantos professores da Universidade Portucalense», do Porto. Igualmente questionada pela assembleia foi «a eventual venda da Universidade Internacional». «Queremos saber se a universidade vai ou não ser vendida, o que vai acontecer ao polo da Figueira da Foz e se os alunos poderão concluir aqui os seus cursos», explicou João Gabriel. Outra das dúvidas levantadas diz respeito às contas da própria SIPEC - Sociedade Internacional para a Promoção do Ensino e Cultura - a entidade instituidora da Universidade Internacional. Os alunos pretendem saber «se as verbas da Figueira da Foz estão ou não a ser aplicadas noutros polos da Universidade Internacional, nomeadamente em Lisboa. André Figueiredo, presidente da mesa da Assembleia Geral, disse mesmo que os dirigentes associativos têm feito pressão junto da administração para que «o polo da Figueira da Foz tenha autonomia financeira». Guilherme de Oliveira, reitor honorário da Universidade Internacional, escusou-se a comentar as questões dos alunos, uma vez que, desde o passado mês de Agosto, deixou de exercer funções directivas na instituição. O nosso Jornal procurou contactar em Lisboa Fausto Amaro, secretário-geral da Universidade Internacional e administrador da SIPEC, o que ontem à noite não se revelou possível.

Paulo Gonçalves

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