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O secretário de
Estado da Administração Portuária vai convocar uma reunião na próxima
semana para decidir sobre os investimentos necessários para resolver os
condicionamentos do porto da Figueira da Foz. O prolongamento do molhe
Norte é um dos principais pontos da agenda
A visita de Narciso Miranda começou pelas instalações da Soporcel, que
está actualmente a montar a sua segunda fábrica, destinada à produção
de papel. No local, Narciso Miranda foi confrontado com as preocupações
da administração da empresa, que espera que «o dossier de investimentos
no porto venha efectivamente a ganhar maior celeridade do que aquela que
até agora já teve». Vitor Uva, director de planeamento comercial,
explicou que a Soporcel espera «que possa ser equacionado a curto prazo o
estudo, o desenho e a construção do prolongamento do molhe norte da
barra, que irá garantir condições de acessibilidade em contínuo
durante todo o ano». Isto porque, com a produção a aumentar para mais
do dobro, aquela empresa irá necessitar de uma «solução logística
equilibrada, onde quer o transporte rodoviário, quer o marítimo, quer o
ferroviário estejam presentes, garantindo uma efectiva intermodalidade».
Por outro lado, considerou igualmente «fundamental» a construção de um
terminal papeleiro, que consiste essencialmente num «cais de acostagem e
num terrapleno onde se possam parquear contentores». «É fundamental que
esse investimento seja rapidamente efectuado», frisou. Privados “a
bordo” No final da visita ao porto da Figueira, Narciso Miranda disse ir
«com a certeza de que há muito mais a fazer». Referindo-se a questões
como o novo terminal papeleiro e a requalificação da frente ribeirinha,
o secretário de Estado frisou que «existem várias hipóteses no que diz
respeito a fontes de financiamento». «Poderemos tentar ir buscar verbas
ao III QCA, ao Orçamento de Estado, mas continuo a acreditar na
capacidade dos investidores privados, através do processo das concessões»,
salientou. Narciso Miranda sustentou que «o casamento das áreas portuárias
com as comunidades em que estão envolvidas tem que ser cada vez mais sólido»,
salientando que é necessário «fazerem-se projectos integrados, para
canalizar para aqui os financiamentos necessários». Mais molhe custa
quatro milhões No que toca ao prolongamento do molhe Norte da barra, para
combater o assoreamento e a agitação marítima do porto, o responsável
pela administração portuária salientou que «na próxima semana, eu, o
presidente da Câmara, o presidente do Instituto Portuário do Centro e o
presidente do Instituto Marítimo Portuário, vamos sentar-nos à volta de
uma mesa para tomar decisões sobre essa matéria». «Decisões em matéria,
para já, de se fazerem os estudos necessários, que nos leve
posteriormente às decisões», frisou, admitindo que aquele investimento
deverá ser co-financiado pelo III Quadro Comunitário de Apoios. Vitor
Ramos da Costa, por seu turno, mostrou-se satisfeito «pela atitude mais
que positiva assumida pelo secretário de estado nos problemas que dizem
respeito ao assoreamento e à agitação marítima que entra no porto da
Figueira». Salientando que o prolongamento em 150 metros do molhe Norte
«custará seguramente menos do que 10 anos de dragagens do porto, ou
seja, menos de quatro milhões de contos», Ramos da Costa sublinhou que,
com essa obra «a agitação ficará quase perfeitamente resolvida, mas em
termos de assoreamento prevê-se que haja mais qualquer coisa a fazer para
além do molhe Norte». Admitindo que ainda aguarda as conclusões do
estudo do Laboratório NAcional de Engenharia Civil, considerou que «um
by-pass de areias entre o molhe norte e o molhe sul» seria a solução
com «mais cabimento mesmo em termos ambientais». Apesar do custos
dependerem «ainda do by-pass a considerar», Ramos da Costa sustentou
que, se houver fundos estruturais do III QCA, esta obra deve ser
considerada, «não propriamente através de candidatura do porto, mas
quem sabe através da Direcção Regional de Ambiente do Centro».
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