Diário de Coimbra
29 de Fevereiro de 2000

O porto da Figueira da Foz

O secretário de Estado da Administração Portuária vai convocar uma reunião na próxima semana para decidir sobre os investimentos necessários para resolver os condicionamentos do porto da Figueira da Foz. O prolongamento do molhe Norte é um dos principais pontos da agenda

A visita de Narciso Miranda começou pelas instalações da Soporcel, que está actualmente a montar a sua segunda fábrica, destinada à produção de papel. No local, Narciso Miranda foi confrontado com as preocupações da administração da empresa, que espera que «o dossier de investimentos no porto venha efectivamente a ganhar maior celeridade do que aquela que até agora já teve». Vitor Uva, director de planeamento comercial, explicou que a Soporcel espera «que possa ser equacionado a curto prazo o estudo, o desenho e a construção do prolongamento do molhe norte da barra, que irá garantir condições de acessibilidade em contínuo durante todo o ano». Isto porque, com a produção a aumentar para mais do dobro, aquela empresa irá necessitar de uma «solução logística equilibrada, onde quer o transporte rodoviário, quer o marítimo, quer o ferroviário estejam presentes, garantindo uma efectiva intermodalidade». Por outro lado, considerou igualmente «fundamental» a construção de um terminal papeleiro, que consiste essencialmente num «cais de acostagem e num terrapleno onde se possam parquear contentores». «É fundamental que esse investimento seja rapidamente efectuado», frisou. Privados “a bordo” No final da visita ao porto da Figueira, Narciso Miranda disse ir «com a certeza de que há muito mais a fazer». Referindo-se a questões como o novo terminal papeleiro e a requalificação da frente ribeirinha, o secretário de Estado frisou que «existem várias hipóteses no que diz respeito a fontes de financiamento». «Poderemos tentar ir buscar verbas ao III QCA, ao Orçamento de Estado, mas continuo a acreditar na capacidade dos investidores privados, através do processo das concessões», salientou. Narciso Miranda sustentou que «o casamento das áreas portuárias com as comunidades em que estão envolvidas tem que ser cada vez mais sólido», salientando que é necessário «fazerem-se projectos integrados, para canalizar para aqui os financiamentos necessários». Mais molhe custa quatro milhões No que toca ao prolongamento do molhe Norte da barra, para combater o assoreamento e a agitação marítima do porto, o responsável pela administração portuária salientou que «na próxima semana, eu, o presidente da Câmara, o presidente do Instituto Portuário do Centro e o presidente do Instituto Marítimo Portuário, vamos sentar-nos à volta de uma mesa para tomar decisões sobre essa matéria». «Decisões em matéria, para já, de se fazerem os estudos necessários, que nos leve posteriormente às decisões», frisou, admitindo que aquele investimento deverá ser co-financiado pelo III Quadro Comunitário de Apoios. Vitor Ramos da Costa, por seu turno, mostrou-se satisfeito «pela atitude mais que positiva assumida pelo secretário de estado nos problemas que dizem respeito ao assoreamento e à agitação marítima que entra no porto da Figueira». Salientando que o prolongamento em 150 metros do molhe Norte «custará seguramente menos do que 10 anos de dragagens do porto, ou seja, menos de quatro milhões de contos», Ramos da Costa sublinhou que, com essa obra «a agitação ficará quase perfeitamente resolvida, mas em termos de assoreamento prevê-se que haja mais qualquer coisa a fazer para além do molhe Norte». Admitindo que ainda aguarda as conclusões do estudo do Laboratório NAcional de Engenharia Civil, considerou que «um by-pass de areias entre o molhe norte e o molhe sul» seria a solução com «mais cabimento mesmo em termos ambientais». Apesar do custos dependerem «ainda do by-pass a considerar», Ramos da Costa sustentou que, se houver fundos estruturais do III QCA, esta obra deve ser considerada, «não propriamente através de candidatura do porto, mas quem sabe através da Direcção Regional de Ambiente do Centro».

Paulo Gonçalves


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