Diário de Coimbra
23 de Fevereiro de 2000

Moinhos do Bom Sucesso

Sopram ventos de recuperação para os últimos exemplares dos moinhos do Bom Sucesso. A Junta de Freguesia, em conjunto com a Câmara, pretende recuperar o património, para depois tentar a classificação. E a obra vai mesmo avançar este ano

Três moinhos de vento rotativos em avançado estado de degradação existentes na freguesia do Bom Sucesso deverão ser recuperados ainda este ano. Tratam-se de três edifícios com mais de oito dezenas de anos, últimos exemplares das dezenas que existiam na então freguesia de Quiaios. «As pessoas com mais idade contam que existiam mais de duas dezenas de moinhos», revela o presidente da Junta de Freguesia, David Azenha. Recentemente, a autarquia do Bom Sucesso, bem como outras do concelho, apresentou à Câmara o plano para a recuperação dos três edifícios. «Os moinhos que propomos recuperar ficam situados em pontos-chave da freguesia: um fica no Camarção, no sul, outro fica no Castanheiro, ao centro, e outro nos Morros, a Norte», explicou David Azenha, salientando que se tratam de locais de passagem «para quem se deslocar à lagoa da vela e ao futuro campo de golfe». O valor estimado da recuperação ascende a quatro mil contos, embora David Azenha considere que «esse valor não deverá chegar». A operação, adiantou ainda o autarca, poderá vir a ter apoios comunitários, ficando a Câmara com os restantes encargos. De um modo ou outro, David Azenha considerou urgente a recuperação, dado o estado de degradação a que chegaram os moinhos. «Mesmo que a Câmara não tenha possibilidades para avançar com a obra, a Junta de Freguesia vai fazê-la este ano, porque aquilo está em muito mau estado», frisou. «Depois da recuperação, vamos então tentar a classificação deste património», adiantou ainda o presidente da Junta de Freguesia. Em jeito de desabafo, David Azenha lamentou ainda a existência de alguma falta de sensibilidade para estas questões: «Há pouco tempo, propusemos a um particular a recuperação de um moinho que ele tinha em terreno dele. Nós pagávamos a recuperação, mas ele não aceitou. Pouco tempo depois, quando lá chegámos, já tinha vendido aquilo e o moinho já tinha ido».

Paulo Gonçalves


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